Análise: Trump tenta transmitir normalidade ao falar da Venezuela
Segundo análise de Fernanda Magnotta, ao CNN 360º, discurso do republicano tenta apaziguar ânimos políticos e de investidores, sinalizando estabilidade na relação com o país sul-americano
Em recente discurso no Fórum Econômico de Davos, Trump abordou a situação na Venezuela, buscando transmitir uma mensagem de normalidade e estabilidade após os eventos que levaram à saída de Nicolás Maduro do poder. A análise é de Fernanda Magnotta, ao CNN 360º.
"O presidente Trump foi a essa reunião, não só porque é um encontro fundamental para discutir uma série de diretrizes sobretudo no campo econômico e estratégico, mas, porque também ele precisa apaziguar os ânimos, não só da classe política, mas, também, dos investidores", relatou a analista.
A fala do republicano tem como objetivo principal acalmar tanto a classe política quanto os investidores internacionais. "Essa fala em particular da Venezuela vem no sentido de tentar transmitir uma certa noção de normalidade - dá a ideia de que o pior já passou e que agora os Estados Unidos estariam com um canal aberto de diálogo com o governo venezuelano", explicou Magnotta.
A analista destaca que, ao afirmar que a "Venezuela vai se sair fantasticamente bem", Trump sinaliza a intenção de manter a estabilidade na oferta e nos preços de insumos energéticos, como o petróleo. No entanto, apesar do tom conciliador, as entrelinhas do discurso revelam aspectos preocupantes sobre as reais intenções americanas na região.
Nova política internacional baseada na força
Para Magnotta, o discurso de Trump em Davos cristaliza uma nova visão da política internacional, baseada mais na força do que nas regras. "Existe uma clareza explícita no discurso do presidente Trump em reconhecer que o que estava em jogo na operação da Venezuela não era necessariamente uma política de mudança de regime, mas sim o controle econômico do recurso do petróleo", observou.
"No fundo, o que os Estados Unidos queriam era criar uma condição política favorável de subjugação do seu adversário imediato, que era o próprio presidente Maduro, e, ao fazer isso, colocar contra a parede o restante da elite venezuelana, a ponto de que não houvesse outra alternativa senão ceder", apontou Fernanda Magnotta.
Acrescentando: "Para além dessa primeira camada de mensagem que ele transmite à classe empresarial, ele cristaliza de forma definitiva a ideia da política do século XXI como sendo a política do mais forte, como sendo a política daquele cujas capacidades prevalecem em detrimento dos demais".
A especialista aponta que essa postura representa um abandono definitivo da ordem internacional do passado e a inauguração de um novo modelo de comportamento internacional. Essa abordagem, segundo ela, levanta questões sobre como seria viver em um mundo não mais orientado por regras internacionais estabelecidas.


