Análise: UE pode adotar ação coletiva contra ameaças de tarifas dos EUA
Segundo análise de Fernanda Magnotta, ao CNN 360º, países europeus têm possibilidades de defesa conjunta diante da ameaça de aumento de tarifas pelos EUA vinculada à Groenlândia
Donald Trump prometeu aumentar tarifas a partir de 1º de fevereiro para países da União Europeia caso não obtenha permissão para anexar a Groenlândia. Diante dessa ameaça, os países europeus já começam a articular possíveis respostas coordenadas. A análise é de Fernanda Magnotta, ao CNN 360º.
Existem alguns caminhos principais que a Europa pode seguir para enfrentar a situação. "Em primeiro lugar, sempre existe, ainda que fragilizado, o caminho multilateral, então, buscar a coesão em torno de vários aliados e países, que não necessariamente estejam dentro do contexto europeu, mas compartilhem dessas preocupações, impondo pressões institucionais em relação aos Estados Unidos", apontou a analista.
Acrescentando: "A possibilidade de uma ação coletiva e coordenada de defesa, de segurança, lembrando que a Europa tem sim uma dificuldade de estabelecer política externa e de defesa comum".
Apesar dessa dificuldade histórica, Magnotta destacou que "diante de uma ameaça existencial à própria OTAN, me parece que há disposição de vários desses países encabeçados pela França, também levados a cabo pela Alemanha e outros, em fazer o uso dos seus recursos que, claro, isoladamente não são referência perto da capacidade ofensiva americana, mas coletivamente são importantes e não são desprezíveis".
Respostas econômicas e articulação interna
O segundo caminho apontado por Magnotta seria uma resposta econômica. "Existe uma bazuca econômica, como muita gente tem chamado, que pode sim ser colocada a serviço dos europeus para estrangular os Estados Unidos num contexto em que os Estados Unidos têm problemas graves de déficit público, um déficit incontornável", afirmou a especialista.
Ela ressalta que os EUA enfrentam déficits comerciais e problemas internos de inflação e custo de vida elevado. "A depender do que essa bazuca econômica europeia possa calibrar em termos de ação, isso afeta o consumidor americano, e isso afeta a vida do cidadão dos Estados Unidos", explicou.
O terceiro caminho seria articular respostas de dentro para fora. Segundo Magnotta, os países europeus podem se articular com atores do setor privado e outros setores que exercem influência no processo decisório americano.
"Ao tomar certas ações e se articular com atores, investidores, produtores americanos, eles vão gerar dentro dos Estados Unidos mecanismos de freio e contrapeso para que dentro dos Estados Unidos o próprio presidente Trump seja levado a reconsiderar algumas ações. Me parece que essas três opções estão sim sobre a mesa e aparecem em todos os discursos", disse.
"Não há evidência clara que tenha de fato uma relação entre a redução estrutural do déficit e essas tarifas", finalizou Magnotta, analisando a questão das tarifas e ameaças de tarifas constantemente citadas por Trump em seus discursos.


