Apesar de resistência turca, Finlândia e Suécia devem integrar Otan, diz professor
À CNN Rádio, Kai Enno Lehmann avaliou que a invasão russa à Ucrânia “mudou cálculo estratégico” para finlandeses e suecos
A decisão de Suécia e Finlândia de formalizar a intenção de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é lógica, quando se leva em consideração que a invasão russa à Ucrânia “mudou o cálculo estratégico” dos países, de acordo com o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Kai Enno Lehmann.
“A Finlândia, por exemplo, tem fronteira de mais de 1.000 quilômetros com a Rússia e se sente ameaçada, a saída lógica é se associar a uma organização militar que tenha como princípio básico a defesa mútua de seus estados-membros”, explicou Lehmann em entrevista à CNN Rádio.
A Turquia sinalizou que será contrária à entrada de Finlândia e Suécia ao bloco. Lehmann afirmou que os estados atuais precisam de unanimidade para permitir novos membros, mas disse acreditar que os turcos não deverão ser um empecilho.
“Em tese, a Turquia poderia bloquear a entrada, mas [o presidente turco] Erdogan está sob pressão doméstica devido à política econômica desastrosa, com inflação alta, e pobreza crescente, para ele essa postura serve para desviar o foco dos problemas domésticos”, analisou.
Ao mesmo tempo, um segundo ponto é o papel dos Estados Unidos: "me parece provável que os EUA vão exercer muita pressão na Turquia, se vender como a proteção necessária contra a agressão russa e fechar países que buscam proteção, Finlândia e Suécia vão entrar na Otan, pode demorar, mas a Turquia deve ceder.”
Para o professor, o presidente russo, Vladimir Putin, “resgatou a Otan”, uma vez que, agora, o bloco tem um objetivo claro pela primeira vez desde a Guerra Fria: proteger os estados-membros contra a agressão russa.


