Austrália promete R$ 3,8 bilhões para proteção da Grande Barreira de Corais

Recife já perdeu 50% de suas populações de corais nas últimas três décadas, de acordo com um estudo publicado em outubro de 2020

Grande Barreira de Corais, na Austrália
Grande Barreira de Corais, na Austrália 25/10/2019REUTERS/Lucas Jackson

Rhea Mogulda CNN

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O governo australiano prometeu nesta sexta-feira (28) 1 bilhão de dólares australianos (cerca de R$ 3,8 bilhões) para proteger a Grande Barreira de Corais, meses depois do local evitar por pouco a lista de “perigos” da agência cultural da Organização das Nações Unidas (ONU) devido à ameaça das mudanças climáticas.

O primeiro-ministro Scott Morrison divulgou o pacote de conservação antes do prazo de 1º de fevereiro estabelecido pela Unesco para apresentar um relatório sobre o estado de conservação do recife.

“Estamos apoiando a saúde do recife e o futuro econômico dos operadores de turismo, hotelaria e comunidades de Queensland que estão no coração da economia da barreira”, disse Morrison em comunicado à imprensa.

O financiamento apoiará novas tecnologias de adaptação ao clima, investimento em programas de qualidade da água e protegerá espécies-chave no recife de biodiversidade, acrescentou.

Em uma carta publicada em julho passado, 13 figuras públicas – atores, ex-políticos e jornalistas – pediram aos líderes que agissem rápido e “salvassem” o recife.

“Pedimos aos principais emissores do mundo que empreendam a ação climática mais ambiciosa sob o Acordo de Paris”, dizia a carta. “Ainda há tempo para salvar a Grande Barreira de Corais, mas a Austrália e o mundo devem agir agora”.

A promessa de Morrison nesta sexta vem antes das eleições gerais previstas para maio.

O Conselho Australiano do Clima, independente do governo, rejeitou a promessa de Morrison, chamando-a de “um curativo em uma perna quebrada” em um comunicado.

“A menos que você esteja cortando profundamente as emissões nesta década, a situação no recife só vai piorar”, disse o cientista climático e professor de biologia da Universidade Macquarie, professor Lesley Hughes.

Em entrevista, Morrison disse que as emissões estão enquadradas nas políticas que o governo estabeleceu, o que é benéfico para o recife. “Estamos alcançando esses resultados e vamos continuar fazendo isso porque somos apaixonados por isso”, disse ele.

Impacto da crise climática

A Grande Barreira de Corais, o maior recife de coral do mundo, cobre cerca de 344 mil quilômetros quadrados e abriga mais de 1.500 tipos de peixes, mais de 400 tipos de corais e dezenas de outras espécies.

Mas os efeitos da crise climática, juntamente com uma série de desastres naturais, tiveram um impacto devastador no recife. Uma pesquisa de cinco anos do governo australiano em 2019 descobriu que a condição da maravilha natural havia se deteriorado de “pobre” para “muito pobre”.

O recife perdeu 50% de suas populações de corais nas últimas três décadas, de acordo com um estudo publicado em outubro de 2020 por pesquisadores do ARC Center of Excellence for Coral Reef Studies.

Em um relatório publicado em junho do ano passado, uma missão de monitoramento da Unesco disse que, apesar do trabalho do governo australiano para melhorar a situação do recife, “não há dúvida possível de que a propriedade está enfrentando perigo comprovado”.

Mas o governo australiano se opôs fortemente a essa conclusão. A ministra do Meio Ambiente, Sussan Ley, voou para a Europa em julho passado como parte de uma última tentativa de convencer os outros membros do Patrimônio Mundial a votar contra a medida. Atualmente, a Austrália faz parte do comitê rotativo de 21 países.

Morrison chamou o recife de “mais bem administrado” do mundo. “Hoje levamos nosso compromisso a um novo nível”, disse ele.

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