Autoridade do Vaticano chama críticas de Trump ao papa Leão de "estranhas"

Ataques do presidente americano antecedem encontro do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com o pontífice

Da Reuters
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Um alto cardeal do Vaticano classificou as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao papa Leão XIV sobre a guerra com o Irã como "estranhas" um dia antes de o secretário de Estado americano se reunir com o papa.

Questionado sobre como avaliava os ataques de Trump contra Leão XIV, o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, respondeu: "Para mim, parece um pouco estranho, para dizer o mínimo."

"Não gostaria de fazer julgamentos ou avaliações pessoais sobre isso", disse o cardeal a jornalistas do lado de fora de um evento perto do Vaticano.

O pontífice, que receberá o secretário de Estado americano Marco Rubio no Vaticano para uma reunião na quinta-feira (7), atraiu a ira de Trump após se tornar um crítico ferrenho da guerra entre EUA e Israel contra o Irã e das políticas linha-dura anti-imigração do governo Trump. 

O presidente tem mantido uma série de ataques públicos sem precedentes contra o papa nas últimas semanas, provocando uma reação negativa de líderes cristãos de todo o espectro político.

O embaixador dos EUA junto à Santa Sé disse a jornalistas nesta terça-feira (6) que a conversa entre Leão XIV e Rubio, o primeiro encontro conhecido entre o papa e um integrante do gabinete de Trump em quase um ano, provavelmente seria "franca".

Parolin também afirmou que a reunião foi solicitada pelos EUA. Ele disse que Leão XIV ouviria atentamente o que Rubio tinha a dizer.

"Imagino que eles vão falar sobre tudo o que aconteceu nos últimos dias", disse o cardeal.

Na segunda-feira (4), Trump sugeriu falsamente que o papa acreditava que não havia problema em o Irã obter armas nucleares, e disse que Leão XIV estava "colocando muitos católicos em perigo" ao se opor à guerra.

Após o último ataque, o papa disse a jornalistas que estava difundindo a mensagem cristã de paz. Ele também rejeitou veementemente a ideia de que apoia armas nucleares, que a Igreja Católica considera imorais.