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    Autoridades dos EUA avaliam que Ucrânia não conseguirá recuperar todo o seu território

    Avanço das forças russas no leste da Ucrânia nas últimas semanas preocupa Ocidente

    Líderes do G7 reunidos com presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, por videoconferência no castelo de Schloss Elmau, na Baviera, Alemanha
    Líderes do G7 reunidos com presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, por videoconferência no castelo de Schloss Elmau, na Baviera, Alemanha 27/06/2022 REUTERS/Benoit Tessier/Pool

    Natasha Bertrandda CNN

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    Funcionários da Casa Branca estão perdendo a confiança de que a Ucrânia será capaz de recuperar todo o território que perdeu para a Rússia nos últimos quatro meses de guerra, disseram funcionários do governo dos Estados Unidos à CNN, mesmo com o armamento mais pesado e sofisticado que seus aliados planejam enviar.

    Assessores do presidente Joe Biden começaram a debater internamente como e se o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria mudar sua definição de uma “vitória” ucraniana – ajustando-se à possibilidade de que seu país tenha encolhido de maneira irreversível.

    Autoridades americanas enfatizaram à CNN que essa avaliação mais pessimista não significa que os EUA planejam pressionar a Ucrânia a conceder território à Rússia para acabar com a guerra. Também há esperança de que as forças ucranianas sejam capazes de recuperar pedaços significativos de território em uma provável contra-ofensiva ainda neste ano.

    Um assessor do Congresso disse à CNN que um Estado ucraniano menor não é inevitável. “Se a Ucrânia pode recuperar esses territórios é em grande parte, se não inteiramente, em função de quanto apoio recebem”, disse.

    Ele lembrou que a Ucrânia pediu formalmente aos EUA um mínimo de 48 sistemas de foguetes de lançamento múltiplo, mas até agora só foram prometidos oito pelo Pentágono.

    E nem todos no governo estão tão preocupados – alguns acreditam que as forças ucranianas podem novamente desafiar as expectativas, como fizeram nos primeiros dias da guerra, quando repeliram um avanço russo na capital ucraniana de Kiev.

    O conselheiro de Segurança Nacional, Jake Sullivan, permanece engajado com seus colegas ucranianos e passou horas ao telefone na semana passada discutindo os esforços para recapturar território com o chefe de Defesa da Ucrânia e com o chefe do Estado-Maior americano, general Mark Milley, disseram fontes à CNN.

    O pessimismo crescente ocorre no momento em que Biden se encontra com aliados dos EUA na Europa, onde tenta transmitir força e otimismo sobre a trajetória da guerra, ao mesmo tempo em que convoca os líderes a permanecerem comprometidos em armar e apoiar a Ucrânia em meio à luta brutal.

    “Temos que ficar juntos. Putin conta desde o início que, de alguma forma, a Otan e o G7 se dividiriam, mas não o fizemos e não vamos”, disse Biden durante a cúpula do G7 na Alemanha.

    O governo anunciou mais US$ 450 milhões em assistência de segurança à Ucrânia na semana passada, incluindo sistemas adicionais de lançamento de foguetes, munição de artilharia e barcos de patrulha. Os EUA também devem anunciar nesta semana um sistema avançado de defesa antimísseis para as forças ucranianas.

    Biden indicou em um editorial no início deste mês que está comprometido em ajudar a Ucrânia a ganhar vantagem no campo de batalha para que tenha influência nas negociações com a Rússia.

    No entanto, o clima mudou nas últimas semanas, já que a Ucrânia não tem conseguido repelir os avanços da Rússia no Donbas e sofreu perdas de tropas impressionantes, chegando a 100 soldados por dia. As forças ucranianas também estão gastando equipamentos e munições mais rápido do que o Ocidente pode fornecer.

    Tropas pró-Rússia dirigem tanque na região ucraniana de Donetsk / 22/05/2022 REUTERS/Alexander Ermochenko

    Um oficial militar dos EUA e uma fonte familiarizada com a inteligência ocidental concordaram que é improvável que a Ucrânia seja capaz de reunir a força necessária para recuperar todo o território perdido para a Rússia durante os combates – especialmente este ano, como Zelensky disse, na segunda-feira (27), que era sua meta.

    Uma contra-ofensiva substancial pode ser possível com mais armas e treinamento, disseram as fontes, mas a Rússia também pode ter a oportunidade de reabastecer sua força nesse período, então não há garantias.

    “Muito depende se a Ucrânia pode retomar o território perdido desde 23 de fevereiro”, disse Michael Kofman, especialista militar do Centro de Análises Navais. “A perspectiva existe, mas é contingente. Se a Ucrânia chegar tão longe, então provavelmente pode levar o resto. Se não puder, pode ter que reconsiderar a melhor forma de alcançar a vitória.”

    Forças russas ganhando terreno

    As forças russas agora controlam mais da metade da região leste ucraniana de Donetsk, disse Pavlo Kyrylenko, chefe da administração militar da região, na semana passada. Os ucranianos se retiraram da importante cidade de Severodonetsk após semanas de batalha sangrenta.

    Os militares russos também capturaram terreno ao redor de Lysychansk, a última cidade na região leste de Luhansk ainda controlada pela Ucrânia. Os comandantes militares ucranianos estão agora lidando com a realidade de que podem ter que se retirar da área para defender o território mais a oeste.

    Enquanto isso, as receitas petrolíferas russas aumentaram à medida que os preços do petróleo dispararam, mesmo em meio às duras sanções impostas pelo Ocidente. Autoridades norte-americanas disseram na segunda-feira que os EUA e seus aliados tentarão limitar o preço do petróleo para limitar o lucro da Rússia, sem providenciar mais detalhes.

    Internamente, há uma sensação entre alguns no governo Biden de que Zelensky precisará começar a moderar as expectativas sobre o que as forças ucranianas podem alcançar de forma realista.

    Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, durante visita à região de Kharkiv / 29/05/2022 Serviço de Imprensa da Presidência da Ucrânia/Divulgação via REUTERS

    O presidente ucraniano disse no mês passado que “consideraria uma vitória para o nosso Estado, a partir de hoje, recuperar o território tomado desde 24 de fevereiro (início da invasão russa) sem perdas desnecessárias”. Zelensky reiterou esse objetivo na semana passada.

    “Não temos outra escolha a não ser seguir em frente – avançar para libertar todos os nossos territórios”, disse no Telegram. “Precisamos expulsar os invasores das regiões ucranianas. Embora a largura das linhas de frente seja de mais de 2.500 km, sentimos que mantemos a iniciativa estratégica”.

    E na segunda-feira, em reunião com os líderes do G7, Zelensky estabeleceu um prazo: ele quer que a guerra termine e que a Ucrânia vença até o fim de 2022.

    A Rússia também está sofrendo perdas significativas em combate, perdendo cerca de um terço de sua força terrestre em quatro meses de guerra, estimam autoridades de inteligência ocidentais.

    Mas a Rússia acredita que pode manter a luta, desgastando a determinação ucraniana e ocidental à medida que os efeitos econômicos globais da guerra se tornam mais graves, disseram autoridades à CNN.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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