Belarus: blogueiro oposicionista e namorada estão em prisão domiciliar

Roman Protasevich e sua namorada, Sofia Sapega, foram presos após autoridades de Belarus interceptarem o voo da Ryanair em maio

Blogueiro e ativista Roman Protasevich, preso em Belarus
Blogueiro e ativista Roman Protasevich, preso em Belarus Foto: Reuters

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O blogueiro da oposição que foi preso depois que um avião de passageiros foi forçado a pousar em Belarus foi transferido de um centro de detenção para a prisão domiciliar, disse um líder da oposição nesta sexta-feira (25).

A prisão de Roman Protasevich e de sua namorada, Sofia Sapega, aconteceu depois que autoridades de Belarus interceptaram o voo da Ryanair em que viajavam em 23 de maio – o que causou indignação internacional.

Protasevich está agora em um apartamento alugado na capital de Belarus, Minsk, disse seu pai, Dmitri Protasevich, à BBC. Ele disse que as autoridades não forneceram mais informações.

Sapega foi transferida para um apartamento alugado separado, disse seu padrasto à BBC. O gabinete da oposicionista Sviatlana Tsikhanouskaya confirmou que ambos estavam em prisão domiciliar.

“O fato de Roman e Sofia terem sido transferidos para prisão domiciliar e não estarem mais nas celas é uma boa notícia”, disse Tsikhanouskaya, que mora na Lituânia, em um comunicado. “Mas prisão domiciliar não significa liberdade (…) Eles continuam reféns.”

O Ministério do Interior da Bielorrússia não foi encontrado para comentar o assunto. A União Europeia impôs sanções econômicas à Bielo-Rússia nesta quinta-feira (24), visando suas principais indústrias de exportação e acesso a financiamento.

O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, que enfrentou protestos de rua no ano passado por causa de uma eleição presidencial que os oponentes dizem ter sido fraudada, disse que a interceptação foi justificada para evitar uma rebelião. Ele nega fraude eleitoral.

Protasevich é acusado de organizar motins em massa e pode pegar até 15 anos de prisão se for condenado. Sapega foi acusada de causar distúrbios. Seus apoiadores dizem que as acusações contra os dois são falsas e rejeitam as confissões em vídeo que, segundo eles, foram feitas sob coação durante a detenção.

O pai de Protasevich foi citado pela BBC como tendo dito que seu filho e Sapega estavam “ainda sob o controle total das autoridades” e que as acusações contra eles não foram retiradas.

(Reportagem de Anton Kolodyazhnyy, em Moscou, e Pavel Polityuk, em Kiev, reportagem adicional de Andrius Sytas, em Vilnius, escrita por Alexander Marrow e Katya Golubkova, com edição de Gareth Jones e Timothy Heritage)

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