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    Belarus tira barracas da fronteira com Polônia; 430 imigrantes voltam ao Iraque

    Ministério de Relações Exteriores do Iraque disse que a operação atende os que desejam ser repatriados

    Luana Franzãoda CNN*

    Em São Paulo

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    Um voo levando cerca de 430 imigrantes iraquianos que estavam na fronteira entre Belarus e Polônia partiu para Bagdá, capital do Iraque, nesta quinta-feira (18). A aeronave decolou do aeroporto de Minsk, capital de Belarus.

    Um porta-voz do ministério de Relações Exteriores do Iraque, Ahmed Al-Salaf, já havia confirmado no domingo (14) que uma operação de repatriação começaria nesta semana para aqueles que estivessem na divisa e “desejassem voluntariamente” voltar.

    O governo belarrusso desmontou acampamentos na região da fronteira Bruzgi-Kuźnica e levou os imigrantes para galpões próximos. Ainda não se sabe qual será o futuro dessas pessoas.

    Apesar da nova medida, muitos imigrantes ainda tentam cruzar a fronteira entre os dois países, além daquelas com a Lituânia e a Letônia. Isso ocorre pois a Polônia e os outros dois países integram a União Europeia, destino final almejado por uma grande parcela dos viajantes.

    De acordo com levantamentos dos governos da Polônia e de Belarus, o número de imigrantes na fronteira é incerto, mas chega a mais de 4 mil, a maior parte vinda do Oriente Médio, em especial da população curda do Iraque.

    Belarus anunciou, também nesta quinta-feira, que propôs um plano à União Europeia (UE) para mitigar a crise. Na nova proposta, o país sugere que a UE acolha 2 mil imigrantes, e o governo local se responsabilizaria por repatriar outros 3 mil. A Comissão Europeia e a Alemanha rejeitaram, porém, a proposta.

    A Belavia, companhia aérea estatal de Belarus, está impedindo passageiros do Afeganistão, Iraque, Líbano, Líbia, Síria e Iêmen de embarcar em voos da Turquia para a capital Minsk, de acordo com um comunicado publicado no site da companhia aérea. A agência de noticias Belta afirmou que a restrição se estende a voos vindos de Tashkent, capital do Uzbequistão.

    Crise humanitária

    Além da situação diplomática complicada, as condições humanitárias em que se encontram os imigrantes presos na fronteira belarussa e polonesa também são críticas.

    Em alguns casos, essas pessoas ficaram presas em regiões de floresta, onde temperaturas baixas e a fome fazem vítimas. Até o momento, foram registradas pelo menos onze mortes de imigrantes nos locais de travessia.

    Há relatos de repressão violenta por parte dos dois países — ambos possuem presença militar na região –, incluindo a agressão de pessoas que tentaram atravessar a fronteira.

    Imigrantes tentam se aquecer perto do posto de checagem de fronteira Kuznica-Bruzgi, entre Belarus e Polônia, em 18 nov. 2021 / REUTERS/Kacper Pempel

    Tensões entre a União Europeia e Belarus

    A crise imigratória na fronteira entre Belarus e a União Europeia suscitou acusações diplomáticas. O bloco europeu acusa o país ex-soviético e aliado da Rússia de provocar a crise humanitária na fronteira, em resposta a sanções aplicadas pela UE entre 2020 e 2021.

    A União Europeia afirma que o governo de Alexandr Lukashenko teria permitido uma entrada maior de imigrantes do Oriente Médio em seu país para pressionar as fronteiras do bloco e provocar a crise.

    “O que vemos em Minsk, esse sistema desumano de usar refugiados como ferramentas para exercer pressão sobre a União Europeia, não melhorou, mas piorou nos últimos dias”, disse o ministro alemão da UE, Haiko Maas, na segunda-feira (15).

    “Vamos endurecer as sanções para os indivíduos que estão envolvidos neste tráfico humano e teremos que falar sobre o fato de que sanções econômicas severas são inevitáveis. Teremos que enfrentar as companhias aéreas também”.

    A estratégia seria uma reação às sanções que a União Europeia vem aplicando ao país, principalmente após a reeleição de Lukashenko, que recebeu a alcunha de “último ditador da Europa”. No segundo semestre do ano passado, ele venceu uma eleição após passar 26 anos no poder e suscitou uma série de protestos massivos no país.

    O bloco europeu condenou o processo eleitoral, afirmando que o pleito não teria sido “nem livre, nem justo”, e a violência com que foi feita a repressão das manifestações populares, que teria violado os direitos humanos. A Europa, na época, não reconheceu o que chamou de “resultado falso”.

    As tensões se agravaram quando, em maio deste ano, Belarus forçou o pouso de um avião da Ryanair, que ia da Grécia para a Lituânia. Na passagem pelo território belarrusso, um jornalista dissidente do governo foi detido. Neste momento, alguns países europeus proibiram a entrada de voos da Belavia em seus espaços aéreos.

    *Com informações da Reuters e sob supervisão

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