Biden pede que oficiais nomeados por Trump a conselhos militares deixem serviço

Secretária da Casa Branca diz que ação quer certificar que há militares "alinhados" com os propósitos do governo democrata

O presidente dos EUA, Joe Biden
O presidente dos EUA, Joe Biden Adam Schultz/Casa Branca

Andrew KaczynskiEm Steckda CNN

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O governo de Joe Biden disse a 11 funcionários nomeados pelo ex-presidente Donald Trump para conselhos consultivos da academia de serviço militar para se demitirem ou deixarem o serviço, disse uma fonte familiarizada com a situação ao KFile, da CNN.

Entre os funcionários convidados a se demitir estão ex-funcionários importantes da Trump, como o ex-secretário de imprensa da Casa Branca Sean Spicer, a ex-conselheira sênior do presidente Kellyanne Conway e o ex-conselheiro de segurança nacional, H.R. McMaster.

Eles foram nomeados para os conselhos consultivos da Academia Naval, Academia da Força Aérea e West Point, respectivamente.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, na quarta-feira (08) à tarde, confirmou que o pedido havia sido feito.

“O objetivo do presidente é o objetivo de qualquer um: assegurar que se tenha indicados e pessoas qualificadas para o serviço e alinhadas com seus valores servindo nesses conselhos. Então sim, esse foi um pedido que foi feito”, disse Psaki aos repórteres em uma coletiva na Casa Branca.

Psaki acrescentou: “Vou deixar que outros avaliem se eles acham que Kellyanne Conway, Sean Spicer e outros foram qualificados, ou não políticos, para servir nestes conselhos. Mas os requisitos de qualificação do presidente não se tratam sobre o registro de seu partido, e sim sobre ser qualificado para servir e estar alinhado com os valores desta administração”.

Outros nomes mais proeminentes incluem Heidi Stirrup, a antiga ligação da Casa Branca com o Departamento de Justiça que foi proibida de entrar no prédio depois que ela tentou acessar informações sensíveis sobre possíveis fraudes eleitorais em dezembro de 2020, e o coronel aposentado Douglas Macgregor, um ex-embaixador e funcionário do Pentágono com um histórico de comentários controversos.

A dupla foi nomeada para os conselhos da Academia da Força Aérea e de West Point.

Outros nomeados que foram convidados a renunciar são Michael Wynne, nomeado para a diretoria da Academia da Força Aérea; John Keane, Meaghan Mobbs e David Urbanm nomeados para a diretoria de West Point; e John Coale e Russell Vought, ex-diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Trump, nomeado para a diretoria da Academia Naval.

A demissão dos funcionários da Trump dos conselhos consultivos militares vem depois que o Pentágono reiniciou recentemente seus outros conselhos consultivos depois de remover centenas de nomeados de outros conselhos em fevereiro.

Em novembro, apenas meses antes de sua saída do cargo, Trump demitiu vários membros de longa data do Conselho de Política de Defesa antes de seus mandatos serem cumpridos.

Os conselhos consultivos da academia militar, de acordo com o site da Academia da Força Aérea, foram estabelecidos para supervisionar a “moral, disciplina, clima social, currículo, instrução, equipamento físico, assuntos fiscais, métodos acadêmicos e outros assuntos” relacionados às academias militares da nação.

A diretoria de cada academia se reúne várias vezes ao ano e seus membros fornecem conselhos e recomendações independentes ao presidente. Os membros normalmente cumprem mandatos de três anos.

Pelo menos um nomeado por Trump, Vought, sinalizou que não se demitirá. “Não. É um mandato de três anos”, Vought tuitou, anexando uma imagem da carta solicitando sua demissão.

Ao ser contatado pela CNN para emitir um posicionamento, Spicer disse que pretende atender ao pedido de demissão. Wynne disse à CNN que “foi uma honra estar no conselho”, e afirmou estar desapontado por não ter sido convidado a permanecer nele.

“Estou muito desapontado por ver a administração Biden não honrar uma nomeação anterior do presidente para o conselho de visitantes, que tem sido a tradição por anos”, disse Keane à CNN.

Em uma declaração, Mobbs disse que ela não se demitiria. “Francamente, considero todo este ato inconsciente e não compatível com o espírito pelo qual esta administração prometeu governar. O presidente Biden falou muito sobre uma suposta unidade, mas suas ações dizem diretamente o contrário. Aparentemente, a unidade é apenas para aqueles que se conformam”, disse Mobbs.

“Quando entrei para o conselho sob o governo Trump, havia remanescentes do governo Obama. Eles não terminaram seus termos, mas serviram ao lado dos nomeados por Trump. Esta mistura de perspectiva, experiência e sistemas de crenças garantiu que houvesse diversidade – um valor que o partido democrata diz manter acima de tudo”.

Em resposta à CNN, Urban disse que a declaração de Mobbs refletia seu ponto de vista.

Conway postou uma declaração no Twitter dirigida a Biden, chamando a notícia de “mesquinha e política” e dizendo que ela não se demitiria.

“Sua decisão é decepcionante, mas compreensível, dada a necessidade de se distrair de um ciclo de notícias que o tem mergulhado em múltiplas crises auto infligidas e em números ruins nas pesquisas de opinião”, escreveu Conway.

O KFile, da CNN, relatou anteriormente que Macgregor, que serviu na administração Trump como conselheiro sênior do Pentágono e foi nomeado para a diretoria de West Point no final do ano passado, desprezou imigrantes, refugiados e minorias e espalhou teorias conspiratórias de que o governo Biden estava substituindo o povo branco de ascendência europeia.

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