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    Boris Johnson compara mudança climática com queda do Império Romano

    Horas antes de reunião do G20 na Itália, primeiro-ministro do Reino Unido diz que gerações futuras podem enfrentar escassez de alimentos, conflitos e migrações em massa

    Premiê britânico, Boris Johnson
    Premiê britânico, Boris Johnson Tom Nicholson - 29.out.2021/Reuters

    Crispian BalmerElizabeth Piperda Reuters

    Os líderes globais devem intensificar a luta contra a mudança climática, alertou o primeiro-ministro britânico Boris Johnson, na sexta-feira (29), dizendo que a civilização mundial pode entrar em colapso tão rapidamente quanto o antigo Império Romano.

    Falando poucas horas antes de os líderes do grupo das 20 maiores economias (G20) iniciarem uma reunião de dois dias na Itália, Johnson disse que as gerações futuras estão sob risco de fome, conflitos e migração em massa se não houver progresso no combate às mudanças climáticas.

    “Não há absolutamente nenhuma dúvida de que esta é uma realidade que devemos enfrentar”, disse ele a repórteres enquanto voava para Roma para a cúpula do G20, alertando que as condições de vida podem se deteriorar rapidamente sem uma mudança coletiva de curso.

    “Vimos isso com o declínio e queda do Império Romano e temo dizer que isso possa ser verdade também hoje.”

     

    É a primeira vez em dois anos que a maioria dos líderes do G20 se sente capaz de manter discussões presenciais enquanto a pandemia Covid-19 começa a diminuir em muitos países.

    A crise da saúde e a recuperação econômica estarão fortemente presentes na agenda, mas o debate mais vital e difícil se concentrará em até onde os líderes querem ir para reduzir os gases do efeito estufa e ajudar as nações mais pobres a enfrentar o aquecimento global.

    O bloco do G20, que inclui Brasil, China, Índia, Alemanha e Estados Unidos, responde por mais de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 60% de sua população e cerca de 80% das emissões de carbono.

    Muitos dos líderes em Roma, incluindo o presidente dos EUA, Joe Biden, voarão imediatamente depois para a Escócia para a cúpula do clima das Nações Unidas. Conhecida como COP26, é considerada vital para enfrentar a ameaça do aumento das temperaturas e consequências como o aumento do nível do mar, tempestades mais fortes, enchentes piores em algumas regiões e secas piores em outras.

    “Na véspera da COP26 em Glasgow, todos os caminhos para o sucesso passam por Roma”, disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, na sexta-feira.

    Ausência de líderes

    No entanto, as expectativas de grande progresso foram diminuídas pela decisão dos presidentes de China, Xi Jinping,  e Rússia, Vladimir Putin, de ficar em seus países, ao contrário da grande maioria de seus homólogos, e participarem apenas por link de vídeo.

    As esperanças de Biden de mostrar que seu país está agora na vanguarda da luta contra o aquecimento global sofreram um golpe depois que ele falhou em convencer seus companheiros democratas a se unirem para um pacote de gastos econômicos e ambientais de US$ 1,85 trilhão.

    Um rascunho do comunicado final visto pela Reuters disse que os líderes do G20 se comprometeriam a tomar medidas urgentes para alcançar a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius, sem fazer compromissos juridicamente vinculativos.

    O primeiro dia de discussões, que será realizado em um centro de convenções futurista chamado ‘The Cloud’, terá como foco a economia global e a resposta à pandemia.

    Os temores sobre o aumento dos preços da energia e cadeias de abastecimento sobrecarregadas serão discutidos. Espera-se que os líderes endossassem os planos de vacinar 70% da população mundial contra Covid-19 até meados de 2022 e criar uma força-tarefa para combater futuras pandemias.

    “Esperamos poder estabelecer as bases para que mais países garantam uma distribuição mais ampla de vacinas”, disse o ministro das Finanças alemão, Olaf Scholz, a repórteres na sexta-feira, após uma reunião conjunta entre os ministros da saúde e das finanças do G20.

    “Esta é uma crise global que exige soluções globais”.

    Espera-se também que haja muita diplomacia paralela, com várias reuniões bilaterais planejadas – como uma entre os líderes de Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e França sobre o Irã.

    Roma foi colocada em nível elevado de segurança, com até 6.000 policiais e cerca de 500 soldados destacados para manter a ordem.

    Dois protestos foram autorizados para este sábado (30), mas os manifestantes serão mantidos longe do centro da cúpula, localizado em um subúrbio construído pelo ditador fascista do século 20 Benito Mussolini.