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    Cazaquistão detém ex-chefe de Segurança Nacional por suspeita de traição

    Putin e Tokayev discutem restauração da "ordem" depois de dias de violência e agitação, segundo o Kremlin

    Karim Massimov já foi primeiro-ministro do país e foi demitido do Comitê de Segurança Nacional na semana passada
    Karim Massimov já foi primeiro-ministro do país e foi demitido do Comitê de Segurança Nacional na semana passada How Foo Yeen/Getty Images

    Olga PavlovaDuarte Mendoncada CNN

    Neste sábado (8), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu colega cazaque, Kassym-Jomart Tokayev, discutiram a restauração da “ordem” no Cazaquistão depois de dias de violência e agitação, já que vários funcionários de alto perfil foram detidos por suspeita de traição.

    Tokayev disse a Putin que a situação em seu país está “progredindo rumo à estabilização” e expressou seu “apreço” pelo envio de um bloco militar liderado pela Rússia ao Cazaquistão para tentar controlar a violência nas ruas, disse o Kremlin em um comunicado.

    Enquanto isso, o ex-chefe do Comitê de Segurança Nacional do Cazaquistão, Karim Massimov, e alguns outros oficiais não identificados foram detidos sob suspeita de traição, anunciou o Comitê de Segurança Nacional do país, de acordo com a mídia estatal Khabar 24 no sábado.

    Protestos violentos no Cazaquistão nos últimos dias resultaram na renúncia do governo e na declaração do estado de emergência, enquanto as tropas de uma aliança militar liderada pela Rússia dirigem-se ao país da Ásia Central para ajudar a conter os distúrbios. Dezenas de pessoas foram mortas, centenas de feridos e milhares de manifestantes detidos.

    É o maior desafio até o momento para o governo autocrático de Tokayev, com a raiva pública inicial sobre um aumento nos preços dos combustíveis se expandindo para um descontentamento ainda mais amplo com o governo, envolvendo corrupção, padrões de vida, pobreza e desemprego na ex-nação soviética rica em petróleo, reportam as organizações de direitos humanos .

    Em 5 de janeiro, os manifestantes teriam invadido o aeroporto da maior cidade do país, Almaty, entrado à força em prédios do governo e incendiado o escritório administrativo da cidade, informou a mídia local. Também houve relatos de confrontos mortais com a polícia e com os militares, houve um apagão de internet em todo o país e edifícios ficaram danificados em três grandes cidades.

    A violência continuou no dia seguinte, com dezenas de manifestantes mortos e centenas de feridos, de acordo com um oficial da polícia de Almaty. As forças de segurança teriam atirado contra os manifestantes e explosões foram ouvidas perto da Praça da República em Almaty, informou a agência de notícias estatal russa TASS.

    Em uma leitura da ligação de Tokayev com Putin no sábado, Tokayev disse a Putin que a situação no país está se estabilizando, mas “focos de ataques terroristas persistem. Portanto, a luta contra o terrorismo continuará com toda a determinação.”

    ‘Mate sem avisar’

    Tokayev declarou o dia 10 de janeiro como dia de luto nacional pelas vítimas de protestos violentos, anunciou sua assessoria de imprensa no sábado.

    Até 7 de janeiro, um total de 18 policiais foram mortos com violência e 748 ficaram feridos, informou a televisão estatal Khabar 24, citando o Ministério do Interior. De acordo com a emissora estatal, 26 “criminosos armados” foram mortos e 18 feridos, e mais de 3.000 manifestantes foram detidos durante protestos em todo o país.

    O presidente do Cazaquistão “assinou uma ordem declarando 10 de janeiro, um dia de luto nacional no Cazaquistão em relação às vítimas dos atos terroristas no país”, disse a assessoria de imprensa no Twitter.

    Presidente do Cazaquistão, Kassym-Jomart Tokayev / 28/11/2019 Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin via REUTERS

    O fato ocorre depois que o líder disse na sexta-feira que ordenou às forças de segurança que “matassem sem avisar” para esmagar os violentos protestos que paralisaram a ex-república soviética.

    Em um discurso público desafiador, Tokayev afirmou que a agitação, que começou no início desta semana como protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis, foi planejada por “bandidos terroristas” bem treinados de dentro e de fora do país.

    A CNN não corroborou nenhuma reclamação feita pelo governo ou presidente defendendo o uso de violência e força excessiva contra os manifestantes.

    Rumores

    O ex-presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, continua no país, disse seu secretário de imprensa no Twitter no sábado, após rumores de que ele havia saído em meio à violência.

    Seu secretário de imprensa, Aidos Ukibai, disse que o líder de longa data permanece na capital, Nursultan, mas sem apresentar evidências.

    “O líder da nação permanece na capital do Cazaquistão, cidade de Nur-Sultan. Pedimos que não divulguem informações falsas. O líder da nação está realizando consultas e está em linha direta com o presidente Kassym-Jomart Tokayev”, disse Ukibai.

    Ukibai disse que Nazarbayev deu vários telefonemas a líderes de países amigos do Cazaquistão.

    “O líder da nação pede a união em torno do Presidente do Cazaquistão para superar os desafios atuais e garantir a segurança no país”, acrescentou.

    O problema ocorre depois que Tokayev disse em um discurso transmitido pela televisão na quarta-feira que havia assumido o cargo de Nazarbayev como chefe do Conselho de Segurança do país.

    No início desta semana, uma estátua de Nazarbayev foi derrubada por manifestantes na cidade de Taldykorgan, na região de Almaty, sudeste do país.

    O primeiro-ministro Askar Mamin renunciou em meio aos protestos. Alikhan Smailov foi nomeado primeiro-ministro interino, e membros do governo continuarão servindo até a formação do novo gabinete, de acordo com um comunicado publicado no site presidencial na quarta-feira.

    Forças de segurança reprimem protestos em Almaty, capital cazaque / Valery Sharifulin/TASS

    Nazarbayev anunciou sua renúncia como presidente em março de 2019, após quase três décadas no cargo. O ex-funcionário do Partido Comunista foi o último dos líderes que comandavam as 15 repúblicas soviéticas quando a URSS entrou em colapso em 1991.

    A capital do país foi batizada em sua homenagem após sua renúncia.

    Nazarbayev governou o Cazaquistão como um autocrata típico: o relatório de direitos humanos de 2018 do Departamento de Estado observou que as eleições presidenciais do Cazaquistão em 2015, nas quais Nazarbayev recebeu 98% dos votos expressos, “foram marcadas por irregularidades e careciam de competição política genuína”.

    Helen Regan, da CNN, contribuiu com reportagem.

     

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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