China e Rússia atacam a chamada “Cúpula da Democracia” de Biden

Evento do governo dos EUA acontece nesta semana; expectativa é receber representantes de mais de 100 governos, grupos da sociedade civil e jornalistas, segundo a Casa Branca

Biden faz seus próximos movimentos nas negociações com China e Rússia
Biden faz seus próximos movimentos nas negociações com China e Rússia AP/Sipa/Getty Images

Sean Lyngaasda CNN

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As mídias estatais chinesa e russa estão trabalhando intensamente para desqualificar a Cúpula para a Democracia do governo Joe Biden, que ocorre esta semana, chamando o projeto de hipócrita.

Uma enxurrada de tweets de diplomatas chineses referem-se ao evento como uma “chamada” cúpula da democracia, enquanto um comentarista político russo, escrevendo em um jornal estatal chinês, comparou a iniciativa dos Estados Unidos a “uma amante de um bordel ensinando moral [sic] para estudantes”.

O fato de os ataques virem de porta-vozes oficiais – e não de robôs e trolls – reflete a ansiedade desses países sobre os esforços dos EUA para reunir apoio para normas democráticas e potencialmente isolar Pequim e Moscou no processo, disseram especialistas em propaganda autoritária à CNN.

“[China e Rússia] veem isso como uma oportunidade para exacerbar o cinismo no Ocidente político e minar quaisquer manchetes que saiam desta cúpula”, disse Jessica Brandt, diretora de política da Iniciativa de Inteligência Artificial e Tecnologia Emergente da Instituição Brookings.

“Uma visão alternativa”

É um jogo conhecido o tipo de operação de influência que os EUA provavelmente terão de enfrentar durante anos enquanto competirem com os governos repressivos para moldar as opiniões globais sobre governança, de acordo com analistas.

“Estamos vendo este esforço realmente concentrado [da China] para minar a democracia dos EUA e apresentar uma visão alternativa”, disse Kenton Thibaut, pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Forense Digital do Conselho do Atlântico residente na China .

A “Cúpula pela Democracia” é um dos esforços mais importantes do governo Biden para promover as normas democráticas. A conferência terá encontros virtuais quinta e sexta-feira, e envolverá representantes de 100 governos, além de grupos da sociedade civil e jornalistas, segundo a Casa Branca.

“Abordamos esta semana com humildade e confiança. Humildade, porque queremos ouvir e aprender, e não fugir de nossas deficiências; confiança em nossa busca constante por uma união mais perfeita”, afirmou o Subsecretário de Estado para Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos dos Estados Unidos Uzra Zeya na terça-feira (7).

O governo Biden planeja usar a Cúpula para anunciar iniciativas para combater a corrupção e defender eleições livres e justas, disse um alto funcionário do governo a repórteres. Ele convidou explicitamente Taiwan a participar do evento.

Autoridades chinesas e russas estão tentando atacar e desqualificar a mensagem.

No fim de semana, a China realizou, virtualmente, seu próprio Fórum Internacional sobre Democracia, supostamente acompanhado por políticos e acadêmicos de mais de 120 países, e divulgou um white paper (relatório) afirmando falsamente que seu sistema de partido único é uma democracia que funciona melhor do que o sistema nos Estados Unidos.

Os embaixadores da China e da Rússia nos Estados Unidos reclamaram que a cúpula foi “antidemocrática”, em um artigo de opinião conjunto publicado no final de novembro pela The National Interest, uma revista americana. Os diplomatas chineses e russos se referiram falsamente a seus países como democracias.

Bret Schafer, um membro sênior que rastreia desinformação na Alliance for Securing Democracy, disse que “democracia” tem sido a hashtag mais usada no Twitter para contas diplomáticas chinesas e outras perfis do governo na semana passada.

“Realmente tem sido uma prioridade de mensagens [para a China] por semanas”, disse Schafer à CNN.

Quando questionado sobre como o governo Biden pode se opor às narrativas russas e chinesas em torno da Cúpula, um alto funcionário do governo disse: “Hoje, muitos governos autocráticos promovem a mentira de que apenas restringindo as ações dos cidadãos as sociedades podem garantir prosperidade e segurança. Nada poderia estar mais longe da verdade.”

Apesar de o sistema político autoritário da China e dos abusos dos direitos humanos bem documentados, os propagandistas do país veem a promoção de noções chinesas de governança como um caminho para a legitimidade no cenário mundial, disse Thibaut.

“Isso está muito de acordo com o que a China tenta fazer nos últimos dois anos, que é redefinir certos conceitos no cenário mundial, incluindo direitos humanos e democracia”, disse a pesquisadora à CNN.

Alguns especialistas esperam que a Cúpula dê passos importantes para combater os danos que a desinformação causa nas democracias, espalhando mentiras sobre as eleições ou o coronavírus, por exemplo.

Nina Jankowicz, pesquisadora do Wilson Center, pediu ao governo Biden que conseguisse apoio para uma aliança para conter a desinformação antidemocrática promovida pela China, Rússia e outros países.

“A desinformação tanto de atores estrangeiros quanto de fontes domésticas está ameaçando o alicerce das democracias em todo o mundo e desempenhando um papel importante em muitas das crises mundiais”, disse Jankowicz à CNN. “É importante para o governo Biden enfatizar que a verdade é a pedra angular tanto da era Biden quanto da comunidade democrática que ela espera construir.”

Este é um texto traduzido. Clique aqui para ler o orginal.

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