
Análise: China exibe poderio ao mundo para dar recado a vizinhos asiáticos
Para Alberto Pfeifer, coordenador do grupo de Análise de Estratégia Internacional da USP, país asiático envia mensagem sobre hegemonia regional sem pretensões de expansão militar global, mas com "demonstração de impressionante ativo bélico"
A China realizou um impressionante desfile militar na Praça da Paz Celestial no dia 3 de setembro em Pequim para celebrar os 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. O evento, que contou com a presença do presidente da Rússia, Vladimir Putin e do ditador norte-coreano, Kim Jong-un, apresentou uma demonstração de força com coreografias elaboradas e exibição de tecnologia militar avançada.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a China enfrentou a invasão japonesa, que estabeleceu a República da Manchúria em território chinês. O país asiático teve papel fundamental na derrota das forças invasoras na região, contribuindo para o esforço global contra o nazifascismo.
O desfile militar serviu como uma demonstração de força tanto para o público doméstico quanto para os países vizinhos. Para a sociedade chinesa, a mensagem foi clara: o país está preparado e equipado com tecnologias militares avançadas para garantir sua segurança interna e regional.
Em relação aos países próximos, como Coreia do Sul, Japão, Filipinas e aqueles envolvidos nas disputas do Mar do Sul da China, além das questões fronteiriças com Índia, Tibet e Mongólia, a China reafirmou sua posição como potência hegemônica regional. A presença da Rússia no evento sinalizou uma parceria estratégico-militar entre as duas nações.
Apesar da demonstração de poderio militar e tecnológico, a China não demonstra intenção de projetar poder globalmente, como fazem os Estados Unidos com suas bases militares e porta-aviões em diversos oceanos. O objetivo principal é garantir a segurança chinesa e consolidar sua influência regional, mantendo-se como uma potência tecnológica e economicamente forte, sem necessariamente buscar uma contraposição direta aos interesses americanos.


