China promete “purificação” da internet antes dos Jogos de Inverno e Ano Novo Lunar

Em nome de uma "atmosfera online positiva", orientação é barrar desde culto a celebridades até informações sobre violência no ambiente digital

Presidente chinês, Xi Jinping, em televisão de Xangai
Presidente chinês, Xi Jinping, em televisão de Xangai Reuters

Laura Hedo CNN Business

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O principal regulador de segurança cibernética da China promete reprimir conteúdo “ilegal” online como parte de uma campanha para limpar a internet antes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim e de um dos feriados anuais mais importantes do país.

A pasta de Administração do Ciberespaço da China anunciou na terça-feira (25) que sua campanha de “purificação” da internet, com duração de um mês, pretende criar um “ambiente online saudável, feliz e pacífico”.

O poderoso regulador da internet – que o presidente Xi Jinping criou em 2014 em nome da proteção online e da segurança de dados da China – vinculou a campanha ao início do Ano Novo Lunar, um grande festival que vai de 31 de janeiro a 6 de fevereiro.

Mas o planejamento também coincide com o início dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que começarão no início de fevereiro. Os jogos marcam o maior evento esportivo internacional que a China sediou desde que Xi tomou o poder em 2012, e seu governo atribuiu grande importância a eles como uma chance de exibir uma China poderosa e unificada.

De acordo com o plano da agência de ciberespaço, as homepages dos principais sites de mídia, listas de busca de tópicos de tendências, janelas pop-up e páginas de conteúdo de notícias importantes devem ser cuidadosamente gerenciadas para apresentar “informações positivas”.

O plano acrescenta que informações obscenas, vulgares, sangrentas, violentas e outras informações ilegais ou ruins devem ser erradicadas para criar uma “atmosfera online positiva”.

O regulador disse que também irá reprimir rumores online, assim como impedir que celebridades “ilegais e imorais” voltem a aparecer. Há anos a China pune as celebridades que vê como má comportadas, apagando suas presenças da internet. No ano passado, por exemplo, as obras da grande atriz chinesa Zheng Shuang foram removidas de emissoras e sites de vídeo, pois ela foi multada em 46 milhões de dólares por evasão fiscal.

Outros comportamentos “ruins” visados pelo regulador incluem aqueles que exibem riqueza ou adoram dinheiro, os que apresentam excesso de comida ou bebida, e os que defendem ou praticam adivinhação na internet.

A campanha não é uma surpresa completa, já que Pequim, no ano passado, embarcou em uma ampla campanha regulatória para reforçar o controle da internet e expurgar o que ela vê como problemas no espaço online e no setor de entretenimento.

Em junho passado, a agência de segurança cibernética lançou uma campanha online para visar a cultura “caótica” dos fãs das celebridades.

Uma expansão posterior da repressão se espalhou para a indústria do entretenimento, com promessas das autoridades em erradicar o conteúdo “insalubre” de programas, proibir celebridades com “política incorreta” ou “estilo efeminado” e cultivar uma atmosfera “patriótica”.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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