Conflito com EUA gera risco de guerra civil na Venezuela, diz professora
Professora de Relações Internacionais analisa, no CNN Arena, que eventual queda de Nicolás Maduro pode gerar conflito entre apoiadores e opositores, com impacto direto no Brasil
A crescente tensão militar entre Estados Unidos e Venezuela pode resultar em uma guerra civil venezuelana, com sérias implicações para toda a América Latina, especialmente o Brasil. A explicação é da professora Flavia Loss, especialista em Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia, em entrevista ao CNN Arena.
A escalada do conflito tem se intensificado nas últimas semanas, com os Estados Unidos aumentando sua presença militar na região do Caribe. Loss destaca que, embora o discurso oficial americano mencione o combate ao narcotráfico, as ações parecem visar uma mudança de regime na Venezuela.
"Não se refere só ao tráfico de drogas, porque, se fosse isso, a maior parte das drogas entra nos EUA pela fronteira com o México e não via marítima", esclareceu a professora.
Um dos principais alertas da especialista refere-se à possibilidade de uma guerra civil venezuelana em caso de queda do atual regime. "A oposição na Venezuela não é coesa, é dividida. Em caso de queda de Maduro, podemos ver uma briga entre seus seguidores, que são muitos e estão armados, além de um conflito entre os próprios opositores", explica.
O cenário é agravado pela militarização interna da Venezuela, incluindo a população civil. Mesmo com María Corina Machado sendo a principal representante da oposição, não há garantias de que ela conseguiria manter uma unidade entre os grupos contrários a Maduro.
Impacto regional
Para o Brasil, as consequências de um conflito na Venezuela seriam significativas. As fronteiras porosas entre os dois países poderiam facilitar o deslocamento de redes de narcotráfico e aumentar o fluxo de refugiados, pressionando ainda mais os serviços públicos brasileiros, incluindo o SUS (Sistema Único de Saúde).
Quanto à possibilidade de o conflito se expandir globalmente, Loss avalia que é improvável um envolvimento direto de potências como Rússia e China. Apesar de ambos os países manterem relações com a Venezuela, suas prioridades geopolíticas estão em outras regiões, como a questão da Ucrânia para a Rússia e Taiwan para a China.


