Conheça sete políticos poderosos pelo mundo que são abertamente LGBTQIA+

No Brasil, governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), revelou-se gay na quinta-feira (1º)

Gregory Prudenciano, da CNN, em São Paulo

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Na semana passada, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), se revelou homossexual. Ao fazê-lo, o tucano juntou seu nome à ainda curta lista de políticos graúdos que se dizem abertamente integrantes da população LGBTQIA+. 

Em 2018, Fabiano Contarato (Rede-ES) foi o primeiro gay a chegar ao Senado Federal. O Congresso Nacional já contava outros dois parlamentares e ex-parlamentares não-heterossexuais, todos na Câmara: Clodovil Hernandes (PR-SP) e Jean Wyllys (PSOL-RJ), ambos homens gays. 

Durante a atual legislatura, David Miranda (PSOL-RJ), que é casado com o jornalista Glenn Greenwald, assumiu a vaga de Wyllys, que renunciou ao mandato. No começo de 2021, Vivi Reis (PSOL-PA), passou a ser a primeira mulher bissexual da Câmara, quando assumiu a vaga que era de Edmilson Rodrigues, eleito prefeito de Belém. Ou seja, quatro pessoas LGBTQIA+ já passaram pela Câmara.

Em outros países, principalmente na Europa, os cidadãos já estão mais acostumados a ver políticos LGBTQIA+ com grande projeção, alguns, inclusive, como chefes de estado ou de governo. 

A CNN preparou uma lista com sete políticos LGBTQIA+ acostumados ao poder em outras nações.

Pete Buttigieg 

Secretário de Transportes, Estados Unidos

Pete Buttgieg é secretário de Transportes dos Estados Unidos
Pete Buttgieg é secretário de Transportes dos Estados Unidos
Foto: Alex Wong/Getty Images

Ex-prefeito de South Bend, no estado americano de Indiana, Pete Buttigieg ganhou projeção nacional em 2020, ao disputar a indicação do Partido Democrata para a eleição presidencial, que acabou vencida por Joe Biden. 

Buttigieg foi o primeiro pré-candidato democrata assumidamente gay a entrar na disputa pela Casa Branca, aos 38 anos, e o primeiro a vencer uma primária de um dos dois maiores partidos do país. Casado com o professor e militante pelos direitos da comunidade LGBTQIA+ Chasten Buttigieg desde 2018, o democrata também serviu à Marinha dos Estados Unidos durante a Guerra do Afeganistão. 

Apesar de derrotado por Biden, foi nomeado, em dezembro de 2020, para o cargo de Secretário dos Transportes, o que fez de Buttigieg o membro do gabinete presidencial mais jovem da história, além de ser o primeiro abertamente gay. 

Ana Brnabic

Primeira-ministra da Sérvia

Ana Brnabic é primeira-ministra da Sérvia, na Europa
Ana Brnabic é primeira-ministra da Sérvia, na Europa
Foto: Maja Hitij/Getty Images

Em junho de 2017, Ana Brnabic assumiu como primeira-ministra da Sérvia, a primeira mulher – e a primeira lésbica – a ocupar este cargo, que ela ainda exerce. Política do Partido Progressista Sérvio, ela já havia trabalhado como ministra de Administração Pública no governo anterior, de Aleksandar Vucic, entre 2016 e 2017. 

Ana vive com sua parceira, Milica Djurdjic, com quem não é oficialmente casada – a Constituição da Sérvia define o casamento como sendo, necessariamente, entre um homem e uma mulher -, e, juntas, criam um filho. 

No entanto, Ana Brnabic é criticada por ativistas dos direitos LGBTQIA+ da Sérvia por, supostamente, não defender os direitos da comunidade, e por desfrutar de privilégios que outros gays e lésbicas não têm acesso.

Xavier Bettel

Primeiro-ministro de Luxemburgo

Xavier Bettel é primeiro-ministro de Luxemburgo
Xavier Bettel é primeiro-ministro de Luxemburgo
Foto: Nicolas Economou/NurPhoto via Getty Images

No cargo de primeiro-ministro de Luxemburgo desde 2013, Xavier Bettel foi, anteriormente, prefeito da cidade de Luxemburgo e também membro da Câmara dos Deputados do país europeu. Integrante do Partido Democrático, tornou-se, em 2018, o primeiro homem gay a ser também reeleito para o cargo. 

Segundo Bettel, em seu país “as pessoas não levam em conta o fato de uma pessoa ser gay ou não”. Ele foi a terceira pessoa homossexual a chegar ao cargo de primeiro-ministro em todo o mundo, tendo sido precedido por Johanna Siguroardóttir, que comandou o governo da Islândia entre 2009 e 2013, o Elio Di Rupo, que foi primeiro-ministro da Bélgica entre 2011 e 2014. 

Xavier Bettel é casado com o arquiteto Gauthier Destenay desde 2015, quando a legislação de Luxemburgo passou a permitir o casamento entre pessoas do mesmo gênero. 

Grant Robertson

Vice-primeiro-ministro da Nova Zelândia

Grant Robertson é vice-primeiro-ministro da Nova Zelândia
Grant Robertson é vice-primeiro-ministro da Nova Zelândia
Foto: Hagen Hopkins/Getty Images

Membro do Partido Trabalhista da Nova Zelândia, Grant Robertson é vice de Jacinda Ardern, política progressista que ganhou fama mundial pelo bem-sucedido enfrentamento do país à pandemia de Covid-19. 

Antes de ser vice-primeiro-ministro – o primeiro homem gay a ocupar o posto -, Robertson foi ministro da Economia e integrante do parlamento neozelandês por cinco mandatos. 

Ele vive com seu parceiro, Alf Kaiwai, na cidade de Wellington, capital da Nova Zelândia. Os dois estão juntos deste 1999, e celebraram uma união civil em janeiro de 2009. Os dois se conheceram no primeiro time de rugby para gays do país, o Krazy Knights. 

Leo Varadkar

Ex-primeiro-ministro da Irlanda

Leo Varadkar foi primeiro-ministro da Irlanda
Leo Varadkar foi primeiro-ministro da Irlanda
Foto: Artur Widak/NurPhoto via Getty Images

Em 2017, Leo Varadkar tornou-se o primeiro homem gay a servir como primeiro-ministro da Irlanda, e também a primeiro pessoa de ascendência indiana a chegar ao carga, que ocupou até junho de 2020. 

O político assumiu sua homossexualidade de forma pública em uma entrevista ocorrida em 2015, a uma rádio local. Na ocasião, ele disse que sua sexualidade “não era segredo”, mas algo que ele nunca havia falado publicamente.

“Não é algo que me define”, disse ele. “Não sou um político meio indiano, nem um político médico ou um político gay. É apenas parte de quem eu sou”, afirmou aos ouvintes. Depois da entrevista, Varadkar experimentou uma ascensão política em seu partido, o Fine Gael, que o levou ao comando do governo menos de dois anos depois.

Sarah McBride

Senadora estadual de Delaware, nos Estados Unidos

Sarah McBride é senadora estadual em Delaware, nos Estados Unidos
Sarah McBride é senadora estadual em Delaware, nos Estados Unidos
Foto: Noam Galai/Getty Images

Aos 30 anos, Sarah McBride tornou-se a primeira mulher transgênero a ocupar a vaga de senadora estadual nos Estados Unidos – lá, em alguns estados, o sistema legislativo é bicameral, como acontece no Brasil na esfera federal -, em Delaware, nas eleições de 2020. Atualmente, é a pessoa trans em mais alto posto político na maior economia do mundo. 

Quando foi eleita, ela escreveu em sua conta no Twitter esperar que sua candidatura e eleição dessem esperanças a crianças transgênero de que “nossa democracia é grande o suficiente para elas também”.

Democrata, sua campanha foi apoiada publicamente pela família de Joe Biden, que se elegeu presidente dos Estados Unidos. Em 2018, Sarah publicou um livro sobre sua trajetória, chamado “Tomorrow Will Be Different: Love, Loss, and the Fight for Trans Equality” (“Amanhã será diferente: amor, perda e a luta pela igualdade de pessoas trans”, em tradução livre). 

Jens Spahn 

Ministro da Saúde da Alemanha

Jens Spahn é ministro da Saúde da Alemanha desde 2018
Jens Spahn é ministro da Saúde da Alemanha desde 2018
Foto: Andreas Gora/Getty Images

Político do partido de centro-direita União Democrata-Cristã, o mesmo da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, Jens Spahn é ministro da Saúde no país desde 2018, e tem guiado a Alemanha em meio à pandemia de Covid-19. 

Jens Spahn é conhecido por defender ideias liberais na economia, ser católico e gay. Foi eleito pela primeira vez ao parlamento como membro da União Democrata-Cristã em 2002, quando tinha somente 22 anos, e tornou-se o mais jovem integrante do parlamento alemão. Também foi secretario-parlamentar no ministério das Finanças entre 2015 e 2018. 

Em 2018, foi citado como um possível substituto para Angela Merkel como chanceler, mas seus votos foram insuficientes para chegar à liderança do partido.

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