Conselho de Segurança da ONU tratará drones russos na Polônia, diz ministro

Reunião de emergência foi pedida pelo país que teve espaço aéreo invadido por dispositivos de Moscou

Pawel Florkiewicz, Barbara Erling e Timothy Heritage, da Reuters
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O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião de emergência a pedido da Polônia para discutir a violação do espaço aéreo polonês ocorrida esta semana, informou o Ministério das Relações Exteriores da Polônia nesta quinta-feira (11).

O anúncio ocorre após uma operação sem precedentes na qual a Polônia, país-membro da União Europeia e da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), com o apoio de aliados, abateu drones russos que violaram o espaço aéreo do país na quarta-feira (10).

“(Estamos) chamando a atenção do mundo para este ataque sem precedentes de drones russos contra um membro da ONU, UE e OTAN”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, à rádio local.

“Já compareci perante o Conselho (de Segurança) da ONU no passado e me parece que nossos argumentos foram convincentes”, continuou ele.

Moscou negou responsabilidade pelo incidente, com um diplomata sênior na Polônia afirmando que os drones vieram da Ucrânia, que a Rússia invadiu em 2022.

O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que os dispositivos realizaram um grande ataque a instalações militares no oeste da Ucrânia, mas não havia planos de atingir nenhum alvo na Polônia.

Invasão de drones da Rússia

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, afirmou que acionou o artigo 4 do Tratado da Otan após a invasão do espaço aéreo do país pela Rússia durante ataques contra a Ucrânia.

O governo informou que 19 drones russos invadiram o espaço aéreo polonês e aqueles que representavam ameaça foram abatidos. Aeronaves da Polônia e aliados da Otan foram mobilizadas na operação.

“O fato de esses drones, que representavam uma ameaça à segurança, terem sido abatidos muda a situação política. Portanto, as consultas entre aliados assumiram a forma de um pedido formal para ativar o Artigo 4 do Tratado da Otan”, disse Tusk.

O artigo prevê que as partes devem ser consultadas sempre que "a integridade territorial, a independência política ou a segurança" de qualquer uma delas estiver ameaçada.

Desde a criação da Otan em 1949, o Artigo 4 foi invocado sete vezes, sendo a mais recente em fevereiro de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Países que fazem fronteira com a Ucrânia já relataram anteriormente que mísseis ou drones russos entraram em seu espaço aéreo durante a guerra, mas não em escala tão grande, e não há registro de que tenham sido abatidos.