Covid-19: Cuba vacina crianças a partir de 2 anos para reabrir escolas e economia

Embora imunização contra o novo coronavírus não seja obrigatória, pais e crianças têm enchido postos de vacinação na ilha

Crianças aguardam em posto de vacinação de Cuba para serem vacinadas contra Covid-19
Crianças aguardam em posto de vacinação de Cuba para serem vacinadas contra Covid-19 CNN

Patrick Oppmannda CNN

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As crianças cubanas sentadas em um hospital de Havana assistiam a um palhaço pintado em cores vivas realizar seu ato. Elas não estavam lá para a apresentação, mas para esperar a vez de receber uma das vacinas contra Covid-19 desenvolvidas em Cuba.

Em setembro, Cuba se tornou o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação em massa de crianças a partir de 2 anos contra o novo coronavírus.

Embora as vacinas contra Covid-19 não sejam obrigatórias, pais e crianças têm enchido clínicas, hospitais e até escolas convertidas para dar a injeção a seus filhos.

“Estou aliviada”, disse Laura Tijeras poucos minutos depois que sua filha de 4 anos, Anisol, recebeu a primeira dose da vacina cubana Soberana. “Muitas pessoas ainda estão ficando doentes e com a vacina estamos mais protegidos”, disse.

Durante um único dia em uma policlínica em Havana, onde a CNN e outros meios de comunicação foram convidados a filmar as vacinações, mais de 230 crianças de 3 a 5 anos foram imunizadas, disse o administrador da clínica.

Para deixar as crianças à vontade, médicos e enfermeiras usaram orelhas de Mickey Mouse acima de seus uniformes e trouxeram um palhaço com um sistema de alto-falantes para falar com eles no volume máximo.

Assim como os adultos vacinados, as crianças em Cuba precisarão de três injeções antes de serem consideradas totalmente imunizadas.

Com a chegada da variante Delta a Cuba, os casos entre crianças dispararam.

“É alarmante o número de infecções pelo novo coronavírus que ocorreram em Cuba nos últimos meses na população pediátrica”, escreveu o ministro da Saúde de Cuba, José Portal Miranda, em artigo no site do governo Cubadebate, em setembro.

Cuba começou a vacinar em setembro criança a partir de 2 anos contra a Covid-19
Cuba começou a vacinar em setembro criança a partir de 2 anos contra a Covid-19 / Reuters

“Muitos dos pacientes pediátricos relatados em estado grave ou crítico são recém-nascidos”, escreveu ele.

Até agora, pelo menos 117.500 menores foram diagnosticados com Covid-19 em Cuba, de acordo com estatísticas oficiais. O governo não disse quantas crianças morreram em Cuba durante a pandemia.

Mas, desde o início de agosto, 10 menores, crianças e bebês foram listados como mortos em coletivas de imprensa dadas pelo Ministério da Saúde.

O aumento de casos levou as autoridades cubanas a descartar os planos de reabertura de escolas no início de setembro.

Como o acesso doméstico à Internet continua sendo um luxo caro para a maioria dos cubanos, as crianças recebem suas aulas assistindo a um canal educacional na TV. Muitos pais cubanos reclamam que seus filhos estão sendo deixados para trás na escola e, com parques, cinemas e praias fechadas, não há para onde levá-los.

Plano para reabertura do país

Em setembro, as autoridades disseram que começariam a vacinar as crianças como parte de um plano para imunizar mais de 90% da ilha e reabrir as fronteiras internacionais em meados de novembro. As autoridades disseram que é improvável que eles possam retomar as aulas antes disso.

“Estar vacinado não será uma condição para frequentar nossas instituições de ensino quando as aulas forem retomadas, mas pedimos à família cubana que vacine seus filhos. Temos uma vacina 100% cubana”, disse o vice-ministro da Educação, Eugenio González Pérez, ao programa Mesa Redonda.

O órgão regulador de medicamentos de Cuba até agora deu aprovação para o uso emergencial de três vacinas nacionais que os cientistas cubanos dizem ser altamente eficazes na prevenção de doenças graves e morte como resultado do novo coronavírus.

Embora os críticos tenham reclamado do excesso de sigilo do governo cubano em relação a seu programa, na semana passada, cientistas cubanos disseram que começaram a compartilhar dados com a Organização Mundial de Saúde (OMS) para receber a aprovação de suas vacinas.

Os produtores de vacinas estatais cubanos esperavam inicialmente fazer doses suficientes para a população da ilha de 11,2 milhões de pessoas até setembro, mas depois disseram que a escassez – atribuída ao embargo comercial dos EUA – os fez ficar aquém dessa meta.

Em agosto, enquanto a pandemia saía do controle em várias províncias, Cuba pela primeira vez começou a usar a vacina chinesa Sinopharm, embora ela seja menos eficaz do que a resposta imunológica que os cientistas cubanos dizem que suas próprias vacinas produzem.

Alguns críticos disseram que, se houver escassez de vacinas, Cuba deve priorizar a vacinação de populações de risco, como idosos e pessoas com doenças pré-existentes, antes das crianças.

Mas os médicos cubanos que realizam a campanha de vacinação de crianças pequenas disseram que o aumento dos riscos enfrentados pelas crianças deve ser resolvido imediatamente.

“É mais difícil, mas é gratificante vacinar uma criança”, disse o Dr. Auroly Otaño Orteaga. “Você aplica a vacina e sabe que eles serão imunizados e não terão complicações graves ou até morrerão de Covid-19.”

(Texto traduzido; leia o original em inglês)

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