Covid-19: Com alta de casos, médicos infectados seguem trabalhando na Bélgica

Em Liège, 3ª maior cidade do país, médicos que testaram positivo para vírus da Covid-19 são solicitados a atender outros infectados se forem assintomáticos

Uma importante autoridade de saúde alertou que a Bélgica pode ficar sem leitos de terapia intensiva em apenas duas semanas
Uma importante autoridade de saúde alertou que a Bélgica pode ficar sem leitos de terapia intensiva em apenas duas semanas Foto: Stephane Mahe/Reuters (12.out.2020)

Por Ivana Kottasová, Gaëlle Fournier and Niamh Kennedy,

da CNN

Ouvir notícia

 

Os profissionais de saúde em alguns hospitais em Liège, a terceira maior cidade da Bélgica e um centro de concentração da Covid-19, foram solicitados a continuar trabalhando mesmo se testassem positivo para o novo coronavírus – desde que não apresentassem quaisquer sintomas de doença.

Uma importante autoridade de saúde alertou que a Bélgica pode ficar sem leitos de terapia intensiva em apenas duas semanas e que alguns hospitais estão enfrentando falta de pessoal.

O país de 11,5 milhões de habitantes notificou em média mais de 13 mil casos por dia na semana passada, de acordo com o instituto nacional de saúde pública Sciensano. O surto de Covid-19 na Bélgica é o segundo pior da Europa em termos de novos casos per capita, atrás apenas da República Tcheca.

Yves Van Laethem, porta-voz da Bélgica para a luta contra o coronavírus, alertou que, a menos que os belgas mudem seu comportamento, as unidades de terapia intensiva atingirão a capacidade de 2 mil pacientes em 15 dias.

Leia também:
Situação da Covid-19 na Bélgica é a pior de toda a Europa, diz ministro da Saúde

OMS registra recorde semanal de 2.8 milhões de casos novos em todo o mundo

Liège, a maior cidade da região da Valônia de língua francesa, tem a mais alta taxa de incidência na Bélgica. O diretor de comunicações do Hospital da Universidade de Liège, Louis Maraite, disse à CNN na terça-feira que, devido à falta de pessoal, o hospital “não tinha escolha” a não ser fazer com que médicos e enfermeiras com teste positivo, mas sem sintomas, trabalhassem.

“Isso não é um problema, pois eles estão trabalhando em unidades voltadas ao combate do novo coronavírus com pacientes que também tiveram resultado positivo”, acrescentou. Maraite disse que os profissionais de saúde da Covid-19 representavam de 5% a 10% da força de trabalho total do hospital.

Os profissionais de saúde que apresentam sintomas, como febre, foram dispensados de trabalhar, e Maraite disse que o hospital não poderia obrigar os profissionais de saúde assintomáticos a comparecerem.

Outro hospital de Liège, o CHC MontLégia, também confirmou à CNN que os trabalhadores de saúde assintomáticos positivos foram solicitados a continuar trabalhando de forma voluntária e na “estrita observância das medidas sanitárias” que incluem limitar o contato com seus colegas.

O porta-voz do departamento de comunicação do hospital privado disse à CNN que a equipe assintomática positiva está trabalhando principalmente nos postos voltados à Covid-19, mas pode trabalhar em todas as unidades, incluindo aquelas com pacientes não infectados, exceto os departamentos de geriatria, neonatologia e oncologia, onde os pacientes estão “particularmente vulneráveia”.

Uma porta-voz do Ministério da Saúde belga disse à CNN que permitir que profissionais de saúde assintomáticos continuem trabalhando é aceitável em “condições muito estritas” porque não há profissionais de saúde suficientes.

“Procuramos garantir a segurança de todos os pacientes”, acrescentou.

Em entrevista coletiva na segunda-feira, Van Laethem disse que 1 mil dos leitos intensivos do país já estão sendo usados, com um total de 1.250 configurados para serem ocupados até o final da semana. As internações hospitalares e de terapia intensiva dobram a cada oito dias, acrescentou.

Em entrevista à emissora estatal RTBF na segunda-feira, Van Laethem acrescentou que seria tomada uma decisão sobre a imposição de um segundo bloqueio (lockdow) “antes do final da semana”, acrescentando que se a Bélgica não vir “sinais de desaceleração do internações hospitalares “, medidas mais rígidas podem ser necessárias.

O governo impôs novas regras à população na semana passada na tentativa de desacelerar a disseminação do vírus. O toque de recolher está em vigor todos os dias da meia-noite às 5 da manhã, restaurantes e cafés estão fechados para serviços de sentar e espera-se que as pessoas trabalhem em casa, a menos que isso seja impossível.

Os eventos esportivos amadores foram cancelados e todas as competições profissionais devem ocorrer sem público.

Embora Van Laethem tenha dito que seja “possível sair disso sem um bloqueio”, as autoridades se preparam para todas as eventualidades, e, se um segundo bloqueio fosse imposto, o governo “não perderia dois ou três dias” antes de trazê-lo entrar em vigor.

A Bélgica registrou um total de 333.718 casos e 10.899 mortes desde o início da pandemia, de acordo com Sciensano.

 

Mais Recentes da CNN