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    Crise climática ameaça borboletas e abelhas e pode afetar oferta de alimentos em um terço

    Borboleta-monarca está em risco de extinção e declínio da quantidade de agentes polinizadores no mundo coloca em perigo até a tradicional tequila

    Alimentos in natura puxaram preços na primeira semana de abril
    Alimentos in natura puxaram preços na primeira semana de abril Alexander Schimmeck/ Unsplash

    Allison ChincharJennifer Grayda CNN

    As populações de abelhas estão diminuindo. Mais da metade das espécies de morcegos nos Estados Unidos está em declínio severo ou listadas como ameaçadas de extinção. E cientistas internacionais recentemente anunciaram que a borboleta-monarca está perto de ser extinta.

    O que essas três criaturas têm em comum é que todas são polinizadoras. Sem elas, frutas, vegetais e outras plantas não seriam polinizadas, e isso é um grande problema para o nosso suprimento de alimentos.

    “Uma em cada três porções de alimento que comemos” está diretamente ligada a um polinizador, disse Ron Magill, diretor de comunicações e especialista em vida selvagem do Zoo Miami, à CNN. Cerca de 30% da comida que chega em nossas mesas se deve às borboletas, abelhas e morcegos, entre outros.

    Perder essas populações críticas também pode significar perder alguns de nossos alimentos favoritos.

    Maçãs, melões, cranberries, abóboras, abobrinhas, brócolis e amêndoas estão entre os alimentos mais suscetíveis ao declínio dos polinizadores, de acordo com a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. As abelhas, em particular, são responsáveis pela polinização de cerca de 90 culturas produzidas comercialmente, informa a agência. Até a tequila está em risco.

    “Está tudo tão intrinsecamente conectado. Se você está comendo o alimento que é polinizado diretamente ou está comendo algo que depende desse polinizador”, disse Magill. “É um efeito dominó”.

    Em outras palavras, se você está comendo frango frito ou costeletas de porco, essas galinhas e porcos comem frutas, legumes e outras plantas que dependem de polinizadores.

    E a crise climática tem afetado os polinizadores. Embora a seca mais intensa e prolongada seja o impacto mais óbvio, uma preocupação crescente é o efeito do calor extremo – principalmente nas borboletas.

    “Como as borboletas são alguns dos insetos mais sensíveis às mudanças de temperatura, elas são consideradas o ‘canário da mina de carvão’ quando se trata de mudanças climáticas”, disse Magill.

    Temperaturas mais quentes fazem com que as plantas floresçam mais cedo, o que está fora de sincronia com o momento em que as borboletas colocam seus ovos e fazem sua metamorfose. Isso significa que as flores das quais elas dependem para se alimentar já terão desabrochado, deixando pouco para as borboletas se alimentarem, o que, por sua vez, afetará muito a capacidade de se reproduzir e sobreviver.

    Borboleta-monarca / Ron Magill / Arquivo Pessoal

    Isso se transforma em uma bola de neve de um problema cíclico em que as borboletas não podem obter o alimento de que precisam para se reproduzir, nem as plantas podem ser polinizadas – causando muito sofrimento a ambas.

    Além disso, para borboletas como as monarcas, que são conhecidas por longas migrações do norte dos EUA para o México – a comida ao longo de sua rota pode não estar mais disponível no momento em que a migração natural ocorre.

    Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), de 2019, descobriu que 1 milhão de espécies estão em risco de extinção nas próximas décadas, à medida que a crise climática se acelera. Magill diz que estamos começando a ver isso nas populações de insetos.

    “Um milhão de espécies nos próximos 50 anos”, disse Magill. “Isso é catastrófico”.

    Impacto humano sobre polinizadores naturais

    Cientistas da União Internacional para a Conservação da Natureza adicionaram, no mês passado, a borboleta-monarca – um dos insetos mais populares e reconhecíveis do mundo – à sua lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção, observando que a destruição de seu habitat e o aumento das temperaturas alimentadas pela crise climática estão ameaçando cada vez mais a espécie.

    “A mudança climática impactou significativamente a borboleta-monarca migratória e é uma ameaça que cresce cada vez mais rápido; a seca limita o crescimento das asclepias [gênero botânico] e aumenta a frequência de incêndios catastróficos, temperaturas extremas desencadeiam migrações precoces antes que as asclepias estejam disponíveis, enquanto o clima severo tem matado milhões de borboletas”, relataram os cientistas.

    As abelhas começaram a mostrar um declínio alarmante em 2006. De abril de 2020 a abril de 2021, os apicultores nos EUA perderam cerca de 45% de suas colônias, segundo o Colégio de Agricultura da Auburn University, que relata que o volume médio aceitável é de cerca de 20%.

    Abelhas em favo de mel / Ron Magill / Arquivo Pessoal

    As mudanças climáticas podem estar amplificando um parasita mortal nas populações de abelhas. A pesquisa mostrou que esses parasitas matadores de abelhas se tornam mais prevalentes em climas mais quentes, o que significa que, à medida que as temperaturas continuam a subir, q quantidade de parasitas pode aumentar e se tornar catastrófica para as abelhas.

    Vários países e até alguns estados dos EUA já estão agindo para ajudar a proteger essas espécies cruciais. A Califórnia está pressionando para restringir os pesticidas que matam as abelhas.

    Magill observou que, embora esses declínios estejam acontecendo gradualmente, eles acabarão sendo grandes demais para os ecossistemas superarem – como um ponto de inflexão, além do qual algumas espécies serão perdidas para sempre.

    Tequila em risco

    Os morcegos também desempenham um papel insubstituível na segurança alimentar. O Departamento de Agricultura dos EUA aponta para estudos recentes que estimam que os morcegos comem pragas suficientes para salvar mais de US$ 1 bilhão por ano em danos às plantações e custos de pesticidas nos Estados Unidos, principalmente da indústria do milho.

    “Em toda a produção agrícola, o consumo de pragas de insetos por morcegos resulta em uma economia de mais de US$ 3 bilhões por ano”, segundo o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA.

    Morcegos frugívoros / Ron Magill / Arquivo Pessoal

    Os morcegos também são polinizadores vitais.

    “Você não teria tequila se não tivesse morcegos, porque essa é a única coisa que poliniza a planta de agave que faz tequila”, disse Magill.

    Os morcegos são afetados pela crise climática da mesma forma que borboletas e abelhas.

    “Os morcegos também são mais suscetíveis ao estresse térmico”, disse Magill. “Houve mortes de morcegos em grandes quantidades como resultado do aumento das temperaturas que levaram à morte por insolação, pois os morcegos têm mecanismos de resfriamento limitados”.

    Ao contrário de borboletas e abelhas, porém, os morcegos não são apenas um polinizador vital – eles são considerados um grande dispersor de sementes e críticos para nossos ecossistemas, assim como os pássaros.

    “As sementes das frutas que eles comem germinam depois de passarem pelo sistema digestivo e depois são depositadas por onde eles passam para ‘plantar’ futuras árvores”, disse Magill.

    Como você pode ajudar

    Este é um problema global, o que significa que as correções precisam ser em escala global, mas ainda existem maneiras em que cada um pode ajudar individualmente.

    Borboleta-monarca / Ron Magill / Arquivo Pessoal

    “Plante jardins com vida selvagem nativa. As plantas nativas que são críticas para a sobrevivência desses animais”, disse Magill.

    As plantas nativas também exigirão menos cuidados. Se você plantar um cacto na Louisiana, não vai se dar bem no ambiente úmido. Da mesma forma, as maria-sem-vergonha ou begônias não se sairão bem no deserto do sudoeste, pois exigem uma tremenda quantidade de água para florescer.

    Um novo banco de dados online ajuda os usuários no Reino Unido a encontrar plantas amigáveis aos polinizadores para seus jardins e a apoiar a biodiversidade. Listas semelhantes de plantas pró-polinizadoras nativas existem para os Estados Unidos.

    “Quando você planta flores silvestres nativas, você está plantando um bufê para a vida selvagem que precisa disso para sobreviver”, diz Magill. “Esses são os postos de reabastecimento para nossos polinizadores”.

    Magill aponta para os esforços de Lady Bird Johnson para embelezar as estradas nos EUA. Embora seu objetivo fosse nacional, seus esforços brilharam no Texas.

    “Ela fez uma coisa maravilhosa com flores silvestres no Texas”, diz Magill. “Há momentos em que você pode dirigir pelo Texas e ver flores silvestres até onde os olhos podem alcançar, e é uma visão tão bonita, porque ela entendeu o valor disso”.

    Borboleta Eumaeus atala / Ron Magill / Arquivo Pessoal

    Enquanto outros estados também estão fazendo isso ao longo das estradas, os moradores podem fazer o mesmo em suas casas.

    “Temos uma bela vida vegetal em nossas áreas nativas onde vivemos neste país. Se pudermos nos concentrar mais nisso e começar a reconstruir o que estava naturalmente aqui, podemos começar a trazer de volta esses ritmos naturais”.

    Você também pode se esforçar para reduzir o uso de pesticidas e produtos químicos em sua casa. Boas alternativas incluem o uso de produtos orgânicos, como composto para a saúde do solo e a adição de insetos benéficos, como joaninhas, louva-a-deus ou até nematóides para manter as pragas longe.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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