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    Debate na Argentina: “Qual problema se eu não falar com Lula?”, questiona Milei

    Candidato oposicionista argumentou que o governo atual, de Alberto Fernández, não dialogava com a gestão de Bolsonaro; "eu visitei Bolsonaro na pandemia", respondeu Sergio Massa

    Javier Milei, candidato à Presidência da Argentina, no último debate eleitoral
    Javier Milei, candidato à Presidência da Argentina, no último debate eleitoral Reprodução/YouTube/CámaraNacionalElectoral

    Luciana Taddeocolaboração para a CNN

    Em Buenos Aires

    No último debate entre os dois candidatos a presidente da Argentina, ocorrido na noite deste domingo (12) em Buenos Aires, Javier Milei e Sergio Massa falaram sobre a relação do país com o Brasil e com a China.

    Massa, que é o atual ministro da Economia da Argentina, perguntou ao rival de direita se, caso eleito, ele pretende manter relações com o Brasil e com a China e lembrou que Milei já chamou os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Xi Jinping de “comunistas”.

    “Brasil e China: Você vai manter relações ou não? Porque você chamou de comunistas os dois presidentes”, questionou. Milei disse que as relações devem ser mantidas pelo setor privado e citou falta de diálogo entre o atual presidente argentino, Alberto Fernández, e o ex-chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro (PL).

    “Você pertence a um governo em que o Alberto Fernández não falava com o Bolsonaro. Que problema tem em eu falar ou não com o Lula?”, rebateu Milei.

    Massa acusou Milei de ter “má memória” e lembrou que visitou Bolsonaro durante a pandemia, quando ainda era deputado. “Acho que o que você não está querendo dizer para as pessoas é que por preconceito ideológico, você vai deixar 2 milhões de argentinos [do setor agropecuário, portuário e automotor] sem trabalho. A ruptura do Mercosul, das relações com o Brasil e com a China, representam 2 milhões de empregos a menos e um impacto nas exportações argentinas de 28 bilhões de dólares. A política exterior não pode ser regida por caprichos, por ideologia, devem ser regidas pelo interesse nacional”, expressou.

    Milei, por sua vez, disse que “acredita profundamente” na abertura do comércio internacional, mas que o Estado não tem porque interferir nas relações internacionais.

    “O melhor exemplo do estorvo que o Estado causa é o que está acontecendo com o Mercosul, que não tem rua de saída, que está empacado, e não progride para nenhum lado. Diante dessas mentiras que dizem que eu sinalizo que não tem que comercializar com a China, com o Brasil, eu digo que é falso. Mas é uma questão dos privados, o Estado não tem que ficar se metendo, porque cada vez que o Estado se mete, gera corrupção e isso gera queda do bem-estar dos argentinos”, disse o candidato oposicionista.

    Milei acrescentou que o comércio do setor privado com o Brasil e com a China continuará existindo, mas caso deixasse de existir “poderia comercializar com outro lugar”, ou triangular com outros países. “Deixe de assustar as pessoas com a perda de postos de trabalho”, reclamou.

    Procurado pela CNN, o Palácio do Planalto informou que não comentaria as declarações.

    Veja também: Eleição na Argentina entra na reta final