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    “Devolvam nosso dinheiro”: Talibã pressiona EUA por retorno de bilhões de dólares

    Grupo pede devolução de dinheiro congelado nos EUA e em países da Europa para evitar crise econômica e humanitária no Afeganistão

    Reprodução/Reuters

    Da Reuters

    O governo do Talibã está pressionando alguns países pela liberação de bilhões de dólares pertencentes ao Afeganistão em reservas de fundos no exterior.

    O Afeganistão possui bilhões de dólares em ativos com o Federal Reserve dos EUA e outros bancos centrais da Europa, mas esse dinheiro foi congelado desde que o Talibã voltou ao poder e depôs o governo apoiado pelos países do ocidente.

    Um porta-voz do Ministério das Finanças do país disse que o governo respeitaria os direitos humanos, incluindo a educação das mulheres, enquanto buscava novos fundos além da ajuda humanitária que, segundo ele, oferecia apenas “um pequeno alívio”.

    Sob o primeiro governo do Talibã, de 1996 até 2001, as mulheres foram em grande parte excluídas do emprego remunerado e da educação e normalmente tinham que cobrir o rosto e ser acompanhadas por um parente do sexo masculino quando saíam de casa.

    “O dinheiro pertence à nação afegã. Basta nos dar nosso próprio dinheiro”, disse o porta-voz do ministério, Ahmad Wali Haqmal, à Reuters. “Congelar esse dinheiro é antiético e é contra todas as leis e valores internacionais”, completou.

    Um membro do banco central afegão pediu aos países europeus, incluindo a Alemanha, que liberassem parte das reservas para evitar um colapso econômico no país, o que poderia desencadear a migração em massa para a Europa.

    “A situação é desesperadora e a quantidade de dinheiro está diminuindo”, disse à Reuters Shah Mehrabi, membro do conselho do Banco Central Afegão. “Há o suficiente agora, para manter o Afeganistão até o final do ano.

    “A Europa será afetada de forma mais severa se o Afeganistão não tiver acesso a esse dinheiro”, disse Mehrabi. “As pessoas ficarão desesperadas. Elas irão para a Europa”, acrescentou.

    O pedido de ajuda surge no momento em que o Afeganistão enfrenta um colapso em sua frágil economia. A retirada das forças lideradas pelos EUA e de muitos doadores internacionais deixou o país sem os recursos que financiaram três quartos dos gastos públicos.

    O Ministério das Finanças local disse ter uma arrecadação diária de impostos de cerca de US $ 4,4 milhões.

    A falta de retorno deve-se ao fato de as potências ocidentais não reconhecerem oficialmente o governo do Talibã por conta das posições contra os direitos humanos.
    Embora o porta-voz do Ministério das Finanças, Ahmad Wali Haqmal, afirmar que eles seriam respeitados, dentro da estrutura da lei islâmica, eles não incluiriam os direitos dos homossexuais.

    “Direitos LGBT, isso é contra a nossa lei Sharia”, disse ele.

    Já Shah Mehrabi, membro do conselho do Banco Central Afegão, disse que embora os Estados Unidos tenham afirmado que não vão liberar os US $ 9 bilhões colocados em fundos, os países europeus talvez o façam.

    Mehrabi disse que a Alemanha detém meio bilhão de dólares de dinheiro afegão e que ela e outros países europeus deveriam liberar esses fundos.

    Segundo o membro do BC afegão, o país precisa de US $ 150 milhões por mês para “evitar uma crise iminente”, mantendo a moeda local e os preços estáveis.

    “Se as reservas permanecerem congeladas, os importadores afegãos não poderão pagar por seus embarques, os bancos começarão a entrar em colapso, os alimentos vão entrar em escassez e os supermercados ficarão vazios”, disse Mehrabi.

    Em relação à Alemanha, o afegão disse que cerca de US $ 431 milhões das reservas do banco central foram mantidas com o banco Commerzbank, bem como cerca de outros US $ 94 milhões com o banco central Bundesbank.

    O Banco de Compensações Internacionais, um grupo que serve de aporte de bancos centrais do mundo todo, localizado na Suíça, detém cerca de US $ 660 milhões de dinheiro afegão.

    Todos os três se recusaram a comentar após solicitação da Reuters.

     

    Com informações de Karin Strohecker, em Londres, e James MacKenzie, em Islamabad