Domo de Ouro: Entenda o sistema que Trump quer construir na Groenlândia
Projeto foi anunciado em 2025, deve custar até US$ 175 bilhões e inclui criação de rede de satélites

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 2025 detalhes do plano para a criação de um sistema de defesa antimísseis chamado de “Domo de Ouro”.
Na época, o presidente afirmou que o projeto deve custar até US$ 175 bilhões, irá proteger os EUA de ataques estrangeiros, o objetivo é concluir antes do fim de seu mandato.
O líder americano voltou a falar sobre o sistema no início de 2026, ao citar uma possível tomada da Groenlândia pelos Estados Unidos. Trump afirmou que a instalação do projeto estaria incluída em um possível acordo pela ilha, que pertence à Dinamarca.
O presidente recuou com as ameaças de anexar o território com uso de força. Na quarta-feira (21), ele anunciou uma "estrutura" para acordo sobre a ilha, sem dar mais detalhes.
Questionado posteriormente sobre quanto estaria disposto a pagar pelo território semiautônomo, ele acrescentou: "Não teremos que pagar nada além do custo da construção do Domo de Ouro".
O projeto de Trump é inspirado no Domo de Ferro, de Israel, que ele quer construir para os Estados Unidos.
O sistema afirmou que qualquer acordo permitiria "acesso total" à Groenlândia, inclusive para os militares: "Estamos conseguindo tudo o que queremos sem custo algum".
Como o sistema irá operar
Encomendado inicialmente por Trump em janeiro de 2025, o Domo de Ouro propõe criar uma rede de satélites para detectar, rastrear e potencialmente interceptar mísseis.
O escudo poderia implantar centenas de satélites para detecção e rastreamento dos projéteis.
Devido ao alto custo, ele poderá levar anos para ser implementado, já que o programa enfrenta tanto questionamentos políticos quanto incerteza de financiamento.
Parlamentares democratas, por exemplo, já expressaram preocupação com o processo de aquisição e o envolvimento da empresa do empresáio bilionário Elon Musk, que surgiu como pioneira para construir componentes-chave do sistema.
Por que construir na Groenlândia?
A localização estratégica e os recursos da Groenlândia poderiam beneficiar os Estados Unidos.
A região fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que é vital para o sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Washington expressou interesse em expandir sua presença militar na ilha ártica, incluindo a instalação de radares para monitorar as águas entre a ilha, a Islândia e a Grã-Bretanha, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Dados de navegação mostram que a maior parte da navegação chinesa em águas árticas ocorre no Ártico do Pacífico e na Rota Marítima do Norte, perto da Rússia.
A maior parte da navegação russa no Ártico ocorre ao longo da costa da Rússia, embora analistas afirmem que submarinos russos frequentemente navegam pelas águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido.
“Domo de Ouro X Domo de Ferro”
A ideia dos Estados Unidos foi inspirada no escudo de defesa aérea de Israel, o Domo de Ferro, que protege o país de mísseis e foguetes.
Desenvolvido pela Rafael Advanced Defense Systems com apoio dos EUA, o sistema israelense se tornou operacional em 2011.
Cada unidade rebocada por caminhão dispara mísseis guiados por radar para interceptar ameaças de curto alcance, como foguetes, morteiros e drones no ar.
Entenda a interceptação na prática:

O Domo de Ouro de Trump é muito mais abrangente e inclui uma enorme variedade de satélites de vigilância e uma frota separada de satélites de ataque que derrubariam mísseis ofensivos logo após o lançamento.
O anúncio dá início aos esforços do Pentágono para testar e, por fim, comprar mísseis, sistemas, sensores e satélites que farão parte do Domo de Ouro.

