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    Egito teme ocupação do Sinai e descarta abrir fronteira para palestinos

    Autorizações devem ficar limitadas para a comunidade de 6 mil a 7 mil estrangeiros — ou cidadãos com dupla nacionalidade — que moram em Gaza

    Palestinos com dupla cidadania esperam na fronteira de Rafah com Egito na esperança de obter permissão para sair de Gaza
    Palestinos com dupla cidadania esperam na fronteira de Rafah com Egito na esperança de obter permissão para sair de Gaza Arafat Barbakh/Reuters (01.nov.23)

    Daniel Rittnerda CNN

    Brasília

    O governo do Egito está preocupado com a instalação, na Península do Sinai, de palestinos que hoje vivem na Faixa de Gaza e tentam fugir de áreas sob bombardeio de Israel.

    A preocupação envolve questões territoriais (não criar riscos futuros sobre o controle do Sinai), econômicas (inexistência de infraestrutura suficiente para atender grande quantidade de refugiados) e de segurança (temor de que integrantes do Hamas se instalem na região).

    Essas impressões foram colhidas pelo governo brasileiro em diversas conversas com autoridades egípcias. O chanceler Mauro Vieira conversou por telefone, nesta quinta-feira (2) à noite, com o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shoukry.

    Um dos maiores temores, segundo relatos feitos à CNN, é com a instalação de integrantes do Hamas no Sinai. O grupo radical islâmico tem forte ligação com a Irmandade Muçulmana, rival do governo no Cairo e visto como um fator de desestabilização no país.

    Conforme esses relatos, o Egito quer preservar suas boas relações com Israel, com quem assinou um acordo de paz e tem laços diplomáticos desde a década de 1970.

    No entanto, as autoridades egípcias dão sinais de que simplesmente liberar a passagem de Rafah seria uma espécie de “sabotagem” à causa palestina, deixando Gaza livre para a tomada por forças israelenses.

    Por isso, segundo explicaram fontes à CNN, o Egito descarta a liberação da fronteira para a imensa maioria dos habitantes de Gaza.

    As autorizações devem ficar limitadas para a comunidade de 6 mil a 7 mil estrangeiros — ou cidadãos com dupla nacionalidade — que moram no território palestino.

    No entanto, os critérios para a autorização dos estrangeiros continuam nada claros para o Itamaraty, que prefere não mais fazer previsões sobre a saída do grupo de 34 brasileiros retidos em Gaza.

    Veja mais: Subsecretário da ONU à CNN: Nenhum civil em Gaza está fora de risco