Eleições nos EUA deste ano são marcadas por ineditismos

Por mais que o pleito seja disputado pelos mesmos candidatos de 2020, a votação de 2024 já quebrou todas as tradições

Elizabeth Matravolgyi e Márcio Gomes, da CNN
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Os americanos adoram a tradição na política. A divisão em dois partidos - republicano e democrata - é antiga e remonta de meados do século XIX.

Mas nunca essa tradição foi tão quebrada quanto neste ano. A eleição de 2024, para eleger o 47º presidente do país, surge cheia de ineditismos.

Ex-presidente e candidato condenado:

A disputa é marcada - principalmente - por casos na justiça.

Donald Trump, pré-candidato ao partido republicano, se tornou o primeiro ex-presidente dos Estados Unidos a ser condenado na justiça.

Ele foi considerado culpado em um caso de suborno e fraude fiscal pelo tribunal de Nova York, em maio deste ano. A sentença será conhecida em julho, dias antes da convenção do partido republicano que irá oficializar o nome do ex-presidente como candidato.

Trump também aguarda outros três casos - sendo dois deles federais - irem a julgamento.

Apenas essa condenação em Nova York já abre para uma série de questionamentos que nem a própria constituição americana consegue responder.

Nos Estados Unidos não há uma lei que determina se uma pessoa condenada na justiça pode ou não ser candidata à presidência, ou se pode ocupar o cargo mais algo no governo americano.

Condenação de Hunter Biden:

A justiça dos Estados Unidos também é uma sombra para Joe Biden. O presidente já foi investigado por levar documentos secretos para casa - exatamente uma das acusações federais que pesam contra o rival Donald Trump.

E mais: pela primeira vez, um filho de presidente foi julgado criminalmente e condenado. Hunter Biden foi considerado culpado por comprar uma arma enquanto era usuário de drogas.

Antes da sentença - que será divulgada em outubro - outro julgamento sobre sonegação de impostos contra o filho de Biden acontece dois meses antes da eleição.

Idade elevada dos candidatos:

A idade dos candidatos também chama atenção.

Não é a primeira vez que esse ponto é levantado contra alguém que quer chegar à Casa Branca. Ronald Reagan enfrentou questionamentos quando concorria ao segundo mandato, em 1984.

Mas, o que se tem agora é que, pela primeira vez, os dois candidatos têm idade mais avançada. Biden terá 81 anos no dia da votação, em 5 de novembro e Trump terá 78. Quem vencer, será o presidente mais velho já empossado na história dos Estados Unidos.

Trump tenta voltar após derrota:

Trump também tenta alcançar uma marca que apenas outro presidente conseguiu: retornar à Casa Branca depois de uma derrota na reeleição, em 2020.

Outros tentaram, mas apenas um até agora conseguiu: Grover Cleveland, em 1893.