Em discurso, Netanyahu diz que reforma judicial visa "cumprir a vontade dos eleitores"

Primeiro-ministro de Israel apresentou a proposta que visa tirar poderes da Suprema Corte e fortalecer ainda mais o parlamento, atualmente dominado por partidos de extrema-direita e fundamentalistas religiosos

Da CNN Brasil
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Dirigindo-se à nação na noite desta segunda-feira (24), depois que seu governo aprovou uma lei controversa para limitar o poder da Suprema Corte, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que estava cumprindo a vontade dos eleitores.

"Cumprir a vontade do eleitor não é de forma alguma o fim da democracia, é a essência da democracia", disse Netanyahu, acrescentando que a aprovação da lei foi "um movimento democrático necessário".

Ele culpou a oposição por se recusar a fazer concessões, mas não disse quais concessões a coalizão governista ofereceu.

Como fez em um discurso na semana passada, ele exortou os reservistas militares a não se recusarem a servir.

"Todos nós sabemos que as Forças de Defesa de Israel contam com reservistas dedicados que amam o país. O pedido de recusa prejudica a segurança de todos os cidadãos do país", disse ele. "Apelo a vocês, nossos irmãos e irmãs que servem na reserva - deixem o serviço nas IDF fora do debate político."

Reforma controversa

Os legisladores israelenses aprovaram nesta segunda-feira (24) uma lei que retira da Suprema Corte o poder de bloquear decisões do governo, a primeira parte de uma reforma do Judiciário que provocou uma onda de protestos de rua, articulações políticas de parlamentares e advertências de outros países.

O controverso projeto de lei, que tira dos principais juízes de Israel o poder de declarar “irracionais” as ações do governo, foi aprovado por 64 votos a 0.

Todos os membros da coalizão governista de extrema-direita votaram a favor do projeto de lei, enquanto todos os legisladores da oposição saíram do Knesset, o parlamento israelense, no momento da votação.

Enormes multidões de manifestantes furiosos se reuniram do lado de fora do parlamento, tentando bloquear o acesso ao prédio. Eles foram recebidos com bloqueios de arame farpado e canhões de água e pelo menos 19 foram presos antes da votação, segundo a Polícia de Israel.

(Publicado por Fábio Mendes)