Engajamento com governo brasileiro é interessante para os EUA, diz especialista

Professor de Relações Internacionais afirma que, com a guerra na Ucrânia e as tensões envolvendo a China, aumenta a necessidade de diálogo entre os norte-americanos e a América Latina

Ingrid Oliveira, da CNN, em São Paulo
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Em entrevista à CNN na noite desta quinta-feira (26), o professor de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) Mauricio Santoro afirmou que é interessante para os Estados Unidos, no momento, algum tipo de engajamento com o Brasil.

Na terça (24), o presidente dos EUA, Joe Biden enviou o ex-senador Christopher Dodd para comunicar a intenção de se encontrar com o presidente Jair Bolsonaro (PL) numa reunião à parte da Cúpula das Américas, que será realizada em Los Angeles entre os dias 6 e 10 de junho.

"A partir do momento em que a Rússia invadiu a Ucrânia e que os Estados Unidos passaram a ter esse confronto político com os russos e, em alguma medida, com os chineses, ganhou força essa necessidade de um diálogo com o Brasil pela importância que ele [Brasil] tem na América Latina", avaliou.

Santoro ressaltou que é interessante para os EUA ter o contato com o governo brasileiro por conta de questões como maior território, população e economia da região.

O professor aponta que, há um ano e meio, o que o governo Biden tem feito com a América Latina "é apagar incêndios e responder a crises pontuais em vários países".

"Uma crise imigratória envolvendo América Central, o assassinato do presidente do Haiti, os protestos em Cuba, o autoritarismo dos governos na Venezuela e na Nicarágua, mas não há de fato uma visão coletiva para a região", disse Santoro.

O especialista disse ainda que há uma disputa econômica dos EUA com a China pela América Latina.

"Disputa que os chineses têm vencido, principalmente entre os países da América do Sul, Brasil, Argentina, Colômbia. Países com uma economia maior, mais diversificada, que não dependem tanto dos EUA", afirma.