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    Entenda a crise no governo de Boris Johnson

    Insatisfeitos em meio a escândalo, membros do alto escalão no Reino Unido estão pedindo demissão; primeiro-ministro afirma que não renunciará

    Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, na residência oficial de Downing Street, em Londres
    Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, na residência oficial de Downing Street, em Londres 08/02/2022 REUTERS/Tom Nicholson/Pool

    Da CNN

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    Boris Johnson enfrenta uma crise em seu governo, com a renúncia de diversos membros da administração e demissão de ministros. Muitos deles dizem que a manutenção do primeiro-ministro britânico no cargo ficou “insustentável”.

    A principal causa desta instabilidade é relacionada a Chris Pincher, demitido na quinta-feira passada em meio a alegações de que Johnson o havia nomeado para seu governo mesmo sabendo de alegações anteriores de má conduta sexual.

    A princípio, quando novos relatos sobre outros casos relacionados a Pincher, enquanto era ministro das Relações Exteriores, surgiram, foi negado que o primeiro-ministro soubesse qualquer coisa a respeito da situação. Porém, após dificuldades em fornecer explicações, a equipe de Johnson disse que ele tinha conhecimento das acusações, mas que haviam sido “resolvidas”.

    Quando um dos relatos contra Pincher foi confirmado, o porta-voz do governo explicou que “resolvido” poderia significar que havia sido confirmado.

    Então, na manhã de terça-feira (5), Simon McDonald, ex-funcionário público do Ministério das Relações Exteriores, revelou que Johnson havia sido informado pessoalmente sobre o resultado de uma investigação sobre a conduta do ex-membro do governo, provocando uma onda de demissões ao longo do dia.

    Pincher não admitiu as acusações diretamente, mas disse a Johnson em uma carta que “na noite passada eu bebi demais” e “envergonhei a mim e a outras pessoas”.

    O primeiro-ministro reconheceu na terça-feira que “foi um erro” nomear Pincher para seu governo, mas o dano já havia sido feito. A onda de renúncias do governo começou poucos minutos depois que ele se desculpou pela decisão, com o chanceler Rishi Sunak e o secretário de Saúde Sajid Javid entregando seus cargos. Nas 24 horas seguintes, dezenas de políticos seguiram o mesmo caminho.

    Johnson garante que não renunciará. Ele também não pode, no momento, sofrer um novo “voto de desconfiança”, um processo legal que pode ser aberto pelo Partido Conservador, o qual o primeiro-ministro lidera, para retirá-lo do poder. Isso acontece pois já foi feita uma votação do tipo no início do mês passado, na qual Johnson saiu vitorioso.

    Para uma nova moção, sob as atuais regras, é necessário esperar 12 meses. Porém, membros do partido já se articulam para tentar alterar essa norma.

    Essa aparenta ser a crise mais grave durante a gestão de Boris Johnson, mas não é a primeira.

    Prorrogação ilegal do Parlamento

    Os críticos do governo muitas vezes acusaram o primeiro-ministro de desrespeitar o procedimento do governo e dobrar as regras quando lhe conviesse, como quando ele decidiu pedir à rainha que suspendesse ou fechasse o Parlamento por cinco semanas no auge de uma crise política sobre o Brexit.

    A monarca acatou o pedido, de acordo com seu dever de ficar fora da política e agir apenas sob o conselho dos ministros de Estado.

    Mas quando a Suprema Corte considerou que a prorrogação era ilegal, levantou a desconfortável questão de saber se a rainha havia infringido a lei. A decisão levou a acusações de que o governo de Johnson enganou deliberadamente a monarca como parte de sua estratégia para garantir o Brexit.

    Johnson foi forçado a se desculpar pessoalmente, de acordo com o “Sunday Times”.

    A prorrogação mal feita foi apenas um exemplo do desrespeito de Johnson pelas regras e padrões parlamentares. Ele apoiou a secretária do Interior, Priti Patel, depois que uma investigação sobre intimidação de funcionários descobriu que ela violou o Código Ministerial e não “tratou seus funcionários públicos com consideração e respeito”, com um “comportamento que pode ser descrito como intimidação”.

    O conselheiro de ética de Johnson, Alex Allen, renunciou por causa do caso.

    A reforma do apartamento

    Um dos primeiros escândalos enfrentados por Johnson foi uma alegação de corrupção depois que mensagens do WhatsApp revelaram que ele havia pedido fundos a um doador do Partido Conservador para reformar sua residência em Downing Street. As agências de notícias britânicas informaram que o trabalho custou cerca de US$ 280 mil (aproximadamente R$ 1,5 milhão)

    Doações e empréstimos políticos são rigidamente controladas no Reino Unido, com empréstimos de mais de US$ 10.400 (R$ 56 mil) registrados e revelados publicamente por uma comissão quatro vezes por ano.

    Johnson não relatou as doações e, como resultado, o Partido Conservador foi multado em 17.800 libras (cerca de R$ 115 mil) pela Comissão Eleitoral em dezembro do ano passado.

    Escândalo de lobby de Owen Paterson

    No ano passado, Johnson tentou forçar os parlamentares conservadores a votar a favor da revogação da suspensão de um colega do partido do Parlamento.

    Owen Paterson, um influente membro conservador e ex-ministro do gabinete, enfrentava uma suspensão de 30 dias depois de ser acusado de uma violação “grave” das regras de lobby.

    Após uma reação negativa, Johnson deu meia-volta e Paterson acabou deixando o cargo.

    Os liberais democratas conquistaram a cadeira de Paterson – uma que os conservadores ocuparam por quase 200 anos – na eleição subsequente em dezembro.

    Partygate

    Johnson enfrentou meses de revelações prejudiciais de festas realizadas em Downing Street, desafiando as restrições devido à pandemia, com imagens nas redes sociais desde janeiro.

    Um relatório publicado em maio pela funcionária pública sênior Sue Gray criticou uma cultura de eventos que quebravam as regras da quarentena e revelou novas fotos dele em duas festas.

    Uma das reuniões aconteceu na véspera do funeral do príncipe Philip –em um momento em que limites rígidos de socialização forçaram até a rainha a se sentar sozinha para se despedir de seu marido de quase 74 anos.

    Gray escreveu que “a liderança sênior no centro” da administração de Johnson “deve assumir a responsabilidade” por uma cultura que permitiu que as festas ocorressem.

    O próprio primeiro-ministro foi multado pela Polícia Metropolitana de Londres por participar de uma festa nas instalações do governo, tornando-o o primeiro ocupante do cargo mais importante do Reino Unido na história a ter infringido a lei no cargo. Sunak, que renunciou na terça-feira, também foi multado por participar do mesmo evento.

    A maneira como Johnson lidou com o escândalo foi particularmente equivocada, com o governo primeiro negando os encontros, depois dizendo que não sabia sobre eles e depois alegando que participou porque acreditava que eram eventos de trabalho.

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