Entenda as exigências de Trump para não atacar o Irã
Líder americano impôs condições ao Irã que incluem o fim do programa nuclear, desarmamento de mísseis e corte de apoio a milícias aliadas, elevando preocupações sobre cooperação iraniana-russa
O retorno de Donald Trump à política externa dos Estados Unidos trouxe novamente à tona a questão nuclear iraniana, com imposições que especialistas consideram praticamente impossíveis de serem aceitas pelo regime de Teerã.
As exigências de Trump ao Irã são abrangentes e miram não apenas o programa nuclear do país, mas toda sua estratégia de defesa regional.
O líder americano estabeleceu três condições fundamentais ao Irã.
- Programa nuclear: Os EUA exigem a completa desistência do programa nuclear, incluindo o enriquecimento para fins civis, algo que o Irã considera seu direito soberano e nunca aceitou abrir mão.
- Mísseis balísticos: O presidente americano quer que Teerã abandone o programa de mísseis balísticos convencionais, que o Irã considera essencial para sua capacidade de defesa e dissuasão. Foi justamente esta exigência que levou Trump a abandonar o acordo nuclear com o Irã em 2018, atendendo a pressões de Israel, que considerava o acordo de 2015 insuficiente por não incluir limitações aos mísseis convencionais iranianos.
- Interrupção do apoio a milícias: Outra condição imposta por Trump é que o Irã interrompa o apoio a milícias aliadas em países árabes, como o Hezbollah no Líbano, as milícias xiitas na Síria e no Iraque, e grupos como Hamas e jihad islâmica nos territórios palestinos, além dos houthis no Iêmen. Este eixo de aliados regionais é considerado pelo Irã como parte vital de sua estratégia de influência no Oriente Médio.
Cooperação com a Rússia e desenvolvimento nuclear
Uma das maiores preocupações atuais dos serviços de inteligência americanos é a cooperação entre Irã e Rússia no desenvolvimento tecnológico militar.
Há especulações de que, em troca do fornecimento de drones Shahid e mísseis iranianos para a guerra contra a Ucrânia, a Rússia possa estar ajudando o Irã a preencher lacunas em sua tecnologia nuclear, como a produção de ogivas e o desenvolvimento de sistemas de gatilho para armas nucleares.
Embora Trump tenha afirmado ter "destruído" a capacidade nuclear iraniana em bombardeios realizados em junho, ele agora volta a mencionar a necessidade de conter o programa nuclear do país, gerando contradições em seu próprio discurso.
Segundo informações de serviços secretos americanos, o Irã continuou desenvolvendo seu programa nuclear de forma subterrânea, mesmo após os ataques.
Analistas apontam que a República Islâmica do Irã dificilmente aceitará as condições impostas por Trump, já que a principal fonte de legitimidade do regime iraniano é justamente sua independência em relação às potências estrangeiras.
O regime considera suas capacidades militares, tanto convencionais quanto o programa nuclear, essenciais para sua sobrevivência em um cenário regional hostil.


