Esforços para salvar diabos-da-Tasmânia levam à quase extinção de pinguins

Indivíduos da espécie diabo-da-Tasmânia foram transportados à Ilha Maria em projeto de conservador

Os diabos-da- Tasmânia são uma espécie predatória nativa da ilha-estado da Tasmânia
Os diabos-da- Tasmânia são uma espécie predatória nativa da ilha-estado da Tasmânia Foto: Cortesia de Dr. Eric J. Woehler

Amy Sood,

da CNN

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Esforços para salvar a população ameaçada de diabos-da-Tasmânia na Austrália levaram à extinção de milhares de pássaros marinhos em uma ilha no Mar da Tasmânia, de acordo com ambientalistas locais.

Vários demônios foram levados para a Ilha Maria, na costa leste da Tasmânia,  em 2012, como parte do programa Salve o Diabo-da-Tasmânia (Save The Tasmanian Devil Program, STDP) – iniciativa conjunta dos governos da Austrália e da Tasmânia.

O grupo de conservação ambiental BirdLife afirmou que a pesquisa governamental mais recente revelou que uma população de pequenos pinguins, que costumava ter 3 mil indivíduos, havia desaparecido completamente da ilha.

Uma década atrás, os diabos – marsupiais carnívoros nativos da ilha da Tasmânia – enfrentaram a ameaça de extinção devido a uma doença que causa tumor facial transmissível e mortal.

Diabo-da-Tasmânia
Os diabos-da-Tasmânia enfrentaram uma ameaça de extinção devido à doença contagiosa que provoca tumor facial e morte na espécie
Foto: Cortesia de Dr. Eric J. Woehler

A ilha Maria foi uma das várias ilhas escolhidas para abrigar as “populações de segurança”, grupos levados para outros habitats para garantir a conservação da espécie, de acordo com a BirdLife Tasmânia. Isso ajudou a população de diabos-da-Tasmânia a se recuperar, crescendo de 28 diabos entre 2012 e 2013 para cerca de 100 em 2016.

Mas o programa teve um custo – os demônios também “eliminaram” uma colônia de cagarras, uma espécie de ave marinha também conhecida no Brasil como “bobo-grande”, de acordo com um artigo publicado no ano passado na revista Biological Conservation.

Eric Woehler, organizador da BirdLife Tasmania, disse que a perda de pássaros era mais uma questão de “quando, não se”.

Diabo-da-Tasmânia
População de pequenos pinguins diminuiu drasticamente
Foto: Cortesia de Dr. Eric J. Woehler

“Quando você olha para a história de introduções acidentais ou deliberadas de predadores carnívoros em ilhas oceânicas em qualquer lugar do mundo, sempre houve um impacto catastrófico nas populações de pássaros nessas ilhas”, acrescentou. 

A CNN entrou em contato com os governos da Austrália e da Tasmânia para comentar o assunto.
Alguns ambientalistas e cientistas alertaram sobre o possível impacto em outras espécies de vida selvagem antes que os animais fossem transportados.

Um relatório de 2011 do Departamento de Indústrias Primárias, Parques, Água e Meio Ambiente da Tasmânia disse que poderia haver “um impacto negativo nas colônias de pinguins e cagarras na Ilha Maria por meio da predação dos diabos”.

Diabos-da-Tasmânia
Pinguins podem se reestabelecer caso diabos-da-Tasmânia sejam retirados da Ilha
Foto: Cortesia de Dr. Eric J. Woehler

Woehler disse que agora seria um bom momento para remover os diabos da Ilha Maria, acrescentando que colônias de pinguins poderiam crescer novamente uma vez que a pressão dos predadores acabasse. 

“Há um crescimento de resistência à doença em diabos-da-Tasmânia selvagens”, disse ele. “O fato de já existirem outras populações de seguras diabos em torno da Tasmânia, significa que a Ilha Maria pode ser restabelecida como uma ilha para os pinguins e as cagarras sem a presença desses carnívoros”.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês).

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