Especialista: Apreensão de petroleiro é recado dos EUA a países sancionados
Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais, explica que a ação americana visa alertar Rússia, Irã e demais países que continuam comércio com a Venezuela apesar das sanções
A recente apreensão de petroleiros pelos Estados Unidos representa uma clara mensagem para países que estão sob sanções internacionais, especialmente Rússia e Irã. A análise foi feita por Alexandre Coelho, professor de Relações Internacionais da Fundação Escola de Sociologia Política de São Paulo, em entrevista ao CNN 360º.
Segundo o especialista, a divulgação das imagens de apreensão de navios tem um objetivo específico. "Em primeiro lugar, [é] uma mensagem clara para a Rússia, para o Irã e demais países sancionados", explicou Coelho. O professor destacou que a ação americana visa alertar sobre o que acontecerá com petroleiros ou navios que se aproximarem da Venezuela ou que forem considerados embarcações sob sanções dos Estados Unidos, independentemente da bandeira que ostentam.
Esquadras fantasmas
Coelho ressaltou que, por trás dessas operações, está a tentativa de combater o que se conhece como "Shadow Fleet" (Frota Fantasma), estratégia intensificada pela Rússia após o início da guerra na Ucrânia. "Por meio dessas esquadras fantasmas de navios, ou seja, navios fantasmas, a Rússia procura exportar petróleo", explicou o professor.
O especialista apontou que o Irã utiliza método similar desde que passou a ser alvo de sanções internacionais, e que a Venezuela também integra esse esquema de contorno às restrições ocidentais, especialmente após o início do conflito na Ucrânia. Essas frotas fantasmas operam como um mecanismo para contornar às sanções impostas pelo Ocidente, permitindo que países sob restrições continuem suas operações comerciais, particularmente no setor petrolífero.
A apreensão do petroleiro, que segundo o professor aparentemente estava vazio, serve como demonstração do poder de vigilância e intervenção dos Estados Unidos sobre o comércio marítimo internacional, especialmente em relação aos países que mantêm relações comerciais com nações sancionadas como a Venezuela.


