Especialista: Baixa no estoque de armas americanas não começou com o Irã
No WW, Paulo Filho aponta que fornecimento de armamentos à Ucrânia desde 2022 agravou a escassez de munições americanas antes do conflito com o Irã
A queda no estoque de munições e armamentos militares norte-americanos tem origem anterior ao conflito com o Irã, segundo Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, em entrevista ao WW.
O especialista explicou que o problema foi agravado pela guerra contra o Irã, mas que suas raízes remontam ao fornecimento contínuo de sistemas de armas a aliados, especialmente à Ucrânia.
Segundo Paulo Filho, desde 2022 os Estados Unidos têm fornecido sistemas de armas à Ucrânia. "O problema foi agravado na guerra contra o Irã, mas o problema não começou com a guerra no Irã", afirmou.
O especialista destacou que mísseis Patriot e mísseis THAAD — descritos como os únicos sistemas capazes de interceptar mísseis balísticos lançados pela Rússia contra a Ucrânia ou pelo Irã contra alvos americanos no Golfo — foram amplamente utilizados nesse período, reduzindo significativamente os estoques disponíveis.
Dificuldade de reposição dos sistemas de armas
Paulo Filho ressaltou que a fabricação desses armamentos é extremamente complexa e demorada. "O míssil Patriot leva entre 18 e 24 meses, desde a encomenda até o dia que ele é entregue, quase dois anos, a um custo altíssimo, na casa de US$ 4,5 a 5 milhões", explicou.
Além disso, a abertura de novas fábricas também não representa uma solução imediata, pois exige trabalhadores especializados e toda uma cadeia de suprimentos logísticos igualmente especializada, o que "não acontece de uma hora para outra", segundo o especialista.
Reação do Irã e pressão sobre os EUA
O especialista avaliou que os Estados Unidos não estavam preparados para a intensidade da resposta iraniana. "Essa reação de atacar vários alvos diferentes, dezenas de alvos no Golfo, exigiu um desdobramento desses sistemas de defesa antiaérea", disse Paulo Filho.
O alto consumo de munição decorrente desses ataques, combinado à dificuldade de reposição, criou uma situação de fragilidade para o exército americano.
Segundo ele, "isso é um problema gravíssimo para os Estados Unidos, porque demonstra uma fragilidade e diminui consideravelmente a capacidade de dissuasão do exército americano".
Informação sigilosa exposta
Paulo Filho também comentou sobre os vazamentos de informações referentes ao nível dos estoques militares. Para o especialista, a quantidade de munição de um exército é uma "informação sigilosa, que deveria ser guardada a sete chaves, e evidentemente não está sendo".
Ele acrescentou ainda que, de forma inédita, o Irã tem conseguido exercer pressão de dissuasão sobre os Estados Unidos por meio dos ataques a países do Golfo, invertendo uma lógica historicamente favorável aos norte-americanos.



