Estados Unidos e Rússia discutem guerra na Ucrânia neste sábado (20)

Governo de Donald Trump tenta obter acordo entre Moscou e Kiev para encerrar conflito

Steve Holland e Simon Lewis, da Reuters
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Negociadores dos Estados Unidos devem se reunir com autoridades russas na Flórida neste sábado (20) para as próximas conversas sobre a Ucrânia. O governo do presidente americano Donald Trump tenta obter um acordo entre a Rússia e a Ucrânia para encerrar o conflito.

O encontro ocorre após as conversas de sexta-feira (19) entre os EUA e autoridades ucranianas e europeias, as discussões mais recentes de um plano de paz que reacendeu alguma esperança de uma resolução para o conflito que começou quando a Rússia lançou sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022.

O enviado do presidente Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, lidera a delegação russa que se reunirá com o magnata imobiliário e agora diplomata Steve Witkoff e com o genro de Trump, Jared Kushner. Marco Rubio, principal diplomata e conselheiro de segurança nacional de Trump, afirmou que também poderá participar das conversas.

As reuniões anteriores ocorreram no clube de golfe de Witkoff, em Hallandale Beach, Miami.

Autoridades americanas, ucranianas e europeias relataram, no início desta semana, progressos nas garantias de segurança para Kiev como parte das negociações para pôr fim à guerra, mas ainda não está claro se esses termos serão aceitáveis ​​para Moscou.

Uma fonte russa disse à Reuters que qualquer encontro entre Dmitriev e os negociadores ucranianos foi descartado.

Putin não oferece nenhum compromisso.

Relatórios da inteligência americana continuam alertando que o presidente russo, Vladimir Putin, pretende tomar toda a Ucrânia, disseram fontes familiarizadas com a inteligência, contradizendo as afirmações de alguns funcionários americanos de que Moscou está pronta para a paz.

Putin não ofereceu qualquer compromisso durante sua coletiva de imprensa anual em Moscou, insistindo que os termos da Rússia para o fim da guerra não mudaram desde junho de 2024, quando exigiu que a Ucrânia abandonasse sua ambição de ingressar na Otan e se retirasse completamente de quatro regiões ucranianas que a Rússia reivindica como seu território.

Kiev afirma que não cederá territórios que as forças de Moscou não conseguiram capturar em quase quatro anos de guerra.

O principal negociador da Ucrânia, Rustem Umerov, disse que as equipes dos EUA e da Europa realizaram conversas na sexta-feira (19) e concordaram em prosseguir com seus esforços conjuntos.

"Concordamos com nossos parceiros americanos sobre os próximos passos e sobre a continuidade do nosso trabalho conjunto em um futuro próximo", escreveu Umerov no Telegram sobre as discussões nos Estados Unidos, acrescentando que havia informado o presidente Volodymyr Zelensky sobre o resultado das conversas.

A Casa Branca não respondeu imediatamente ao pedido de comentário.

Rubio disse a repórteres na manhã de sexta-feira que houve progresso nas discussões para pôr fim à guerra, mas que ainda há um longo caminho a percorrer.

"No fim das contas, cabe a eles chegar a um acordo. Não podemos forçar a Ucrânia a fechar um acordo. Não podemos forçar a Rússia a fechar um acordo. Eles precisam querer fechar um acordo", disse Rubio.

"O papel que estamos tentando desempenhar é o de descobrir se existe alguma convergência que eles possam aceitar, e é nisso que investimos muito tempo e energia, e continuamos a investir. Pode ser que não seja possível. Espero que seja. Espero que possamos concluir o acordo este mês, antes do final do ano."