EUA começam a modificar jato do Catar que pode ser novo avião presidencial
Agências de espionagem e segurança estão encarregadas da reforma que deve custar cerca de US$ 400 milhões

A Força Aérea dos EUA começou a modificar um Boeing 747 que foi doado aos EUA pelo Catar durante o verão, anunciou um porta-voz da Força Aérea neste segunda-feira (15).
O avião será usado para "suporte aéreo executivo", disse o porta-voz. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que quer usar o avião doado como um novo Air Force One.
Detalhes relacionados às modificações feitas no avião e qual empresa foi contratada para fazer as alterações são confidenciais, disse o porta-voz.
A CNN já havia relatado que a adaptação e instalação dos equipamentos de segurança e comunicação necessários em um avião de segunda mão de outro governo, mesmo que seja amigo, é uma tarefa monumental.
As agências de espionagem e segurança dos EUA encarregadas da reforma precisarão essencialmente desmontar a aeronave, deixando-a apenas com a estrutura e reconstruí-la com os equipamentos necessários.
A doação do avião e os riscos à segurança que ele representa geraram críticas bipartidárias.
O senador republicano Ted Cruz afirmou em maio que a doação "representa problemas significativos de espionagem e vigilância".
Do outro lado do corredor, o senador democrata Jack Reed, membro sênior do Comitê de Serviços Armados do Senado, afirmou que aceitá-lo representaria "imensos riscos de contrainteligência ao conceder a uma nação estrangeira acesso potencial a sistemas e comunicações sensíveis".
O Secretário da Força Aérea, Troy Meink, disse aos legisladores em junho que "provavelmente" custará à Força Aérea menos de US$ 400 milhões para modernizar o avião.
Esse processo pode levar de vários meses a dois anos, disse anteriormente um alto oficial militar aposentado à CNN.
Embora a Força Aérea supervisionasse em grande parte a desmontagem da aeronave do Catar e sua reconstrução para atender aos requisitos de segurança, o projeto também envolveria uma série de agências governamentais, incluindo o Serviço Secreto, a Agência Central de Inteligência, a Agência de Segurança Nacional e a Agência de Comunicações da Casa Branca.
As relações entre EUA e Catar têm se deteriorado ligeiramente nos últimos dias, após um ataque israelense a Doha na semana passada, que teve como alvo altos funcionários do Hamas.
O Secretário de Estado Marco Rubio viajará ao Catar como parte de sua atual viagem ao Oriente Médio, confirmou um alto funcionário do Departamento de Estado na segunda-feira (15).
O funcionário não forneceu mais detalhes sobre a parada, que ocorre após a reunião de Rubio com o primeiro-ministro catari na semana passada e discussões com altos funcionários israelenses nesta semana.
No entanto, o Catar insistiu publicamente que o relacionamento de defesa entre os EUA e o Catar continua forte e negou que esteja reavaliando a parceria de segurança.
“A parceria de segurança e defesa entre o Estado do Catar e os Estados Unidos está mais forte do que nunca e continuará a crescer”, disse o Escritório de Mídia Internacional do Catar em um comunicado no X na semana passada.


