EUA consideram envio de tropas para o leste europeu, mas aliados divergem

País considera envio de tropas adicionais para regiões próximas à Ucrânia, mas alguns membros da Otan, como a Alemanha, resistem em pressionar a Rússia

Jim Sciutto e Natasha Bertrand, da CNN
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Os EUA e alguns dos países aliados estão em discussões para enviar mais alguns milhares de tropas da Otan para os países da Europa Oriental. A proposta é enviar as unidades antes de qualquer possível invasão russa à Ucrânia. As informações foram dadas por três funcionários americanos à CNN.

Entre os países que consideram aceitar as unidades de combate da Otan estão Romênia, Bulgária e Hungria. Seriam aproximadamente mil pessoas para cada país, que formariam grupos de batalha avançados semelhantes aos que atuam na Polônia.

Os Estados Unidos e o Reino Unido estão entre os que consideram novas medidas pré-invasão, mas nem todos os 30 membros da Otan estão dispostos a fazer esse avanço. É o que revelou à CNN um diplomata europeu.

Os membros da Otan não são unânimes sobre as ações que visam impedir um eventual avanço russo. A Alemanha, por exemplo, se recusou a vender novos armamentos para a Ucrânia.

Em geral, o objetivo militar dos EUA é "atender às necessidades" dos aliados da Otan na região, disse um oficial da Defesa americana à CNN na semana passada.

As forças dos EUA poderiam operar unilateralmente na Europa, como já fazem, mas também poderiam operar sob as estruturas de comando da Otan já existentes.

EUA menos cauteloso

A possibilidade de enviar algumas forças para mais perto da porta da Rússia antes de uma invasão marca uma mudança do governo americano, que anteriormente estava cauteloso com o risco de provocar ainda mais Moscou.

As intenções americanas podem ser usadas pelo Kremlin como um exemplo que justifique o discurso usado até agora pelos russos: de que a ação da Otan é agressiva.

O secretário de imprensa do Pentágono, John Kirby, disse na segunda-feira que os EUA colocaram 8.500 soldados nos EUA em alerta elevado caso uma Força de Resposta da Otan seja convocada.

No entanto, a grande maioria dessas forças destina-se a atividades apoiadas pela aliança completa da Otan. Os EUA e a Otan já têm dezenas de milhares de outras tropas na Europa para utilizar em eventuais desdobramentos do conflito na região.

Kirby disse à CNN na terça-feira que algumas tropas também estão em alerta intensificado, mas que o propósito dos Estados Unidos é “tranquilizar(...) alguns dos aliados da Otan na Europa".

O presidente Biden planejava originalmente fazer comentários ao público sobre a situação com a Rússia ainda nesta semana, disseram duas fontes, mas agora não está claro se ele fará isso.

O planejamento militar ocorre quando os EUA estão cada vez mais preocupados com a possibilidade de uma nova invasão russa da Ucrânia acontecer a qualquer momento, e em curto prazo.

"Quando dissemos que era iminente, continua iminente", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, na terça-feira. "Mas, novamente, não podemos fazer uma previsão de qual decisão o presidente Putin vai tomar. Ainda estamos envolvidos em discussões e negociações diplomáticas."

Autoridades ucranianas criticaram a linguagem de Psaki na terça-feira, chamando a situação com a Rússia de "perigosa", mas não "iminente".

Uma fonte próxima à liderança ucraniana disse na terça-feira que os chefes de defesa e inteligência estão analisando imagens de satélite e que não estão vendo a Rússia "entrando em modo de combate ou se posicionando para ataque."

Se qualquer ordem de ataque for dada pelo Kremlin, a Ucrânia acredita que ainda levará entre uma e duas semanas para que as forças russas perto da fronteira estejam prontas.

Em suas respostas escritas às exigências de segurança da Rússia, que autoridades dos EUA podem apresentar ao Kremlin na quarta-feira, é improvável que os EUA permitam qualquer espaço para negociação sobre a política de portas abertas da Otan, que é a queixa central do presidente Vladimir Putin.

Por essa razão, há alguma preocupação dentro do governo de que Moscou use a resposta dos EUA como pretexto para dizer que a diplomacia falhou.

Na linha de frente, ucranianos se preparam para possível ataque:

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