EUA dizem que Moscou envenenou Navalny e anunciam sanções contra a Rússia

Dirigentes e entidades estão na lista do governo Biden; Estados Unidos disseram que haverá ampla revisão dos delitos cometidos pelos russos

Alexei Navalny, principal opositor do governo do Kremlin
Alexei Navalny, principal opositor do governo do Kremlin Foto: Reuters

Jennifer Hansler, da CNN

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O governo Biden impôs sanções a sete autoridades russas em resposta ao envenenamento e prisão do líder da oposição Alexei Navalny.

Essa faz parte de uma série de medidas que o novo governo anunciou nesta terça-feira (2), em seu primeiro movimento significativo contra Moscou desde que Joe Biden assumiu a presidência. Funcionários do alto escalão do governo enfatizaram que a ação está sendo tomada em coordenação com aliados, como a União Europeia, que também divulgou sanções na terça.

Um desses oficiais se referiu ao envenenamento de Navalny, em agosto de 2020, como uma tentativa de assassinato. Outro revelou que o serviço de inteligência avaliou com grande confiança que o Serviço de Segurança da Rússia, o FSB (na sigla em russo), havia envenenado o líder da oposição com o componente neurotóxico Novichok.  

Navalny foi detido ao retornar para a Rússia em meados de janeiro, após cinco meses na Alemanha, onde foi tratado para o envenenamento que quase o matou.

Em resposta a essas ações, funcionários do alto escalão do governo disseram aos repórteres, por telefone, na terça-feira, que o Departamento do Tesouro está sancionando sete autoridades do governo russo. O Departamento de Estado está “espelhando” as sanções anteriores da União Europeia e do Reino Unido e as ampliando sob o Ato de Controle de Armas Químicas e Biológicas e Eliminação de Guerra (CBW Act, na sigla em inglês), impostas pela primeira vez após o envenenamento do ex-espião Sergei Skripal pela Rússia, no Reino Unido, disse um dos oficiais.

O Departamento de Comércio adicionará 14 entidades à lista pelo envolvimento “em atividades que são contrárias à segurança nacional dos EUA e aos interesses da política externa”, disse outro funcionário. “Especificamente, essas entidades estão todas envolvidas em vários aspectos da produção de agentes biológicos e produção de produtos químicos”.

“Está claro […] que as autoridades russas miraram Navalny por seu ativismo e esforços para revelar verdades incômodas sobre a corrupção delas e dar voz às queixas legítimas dos cidadãos russos contra seu governo e suas políticas”, disse um dos oficiais. “Estamos exercendo nossas autoridades para enviar um sinal claro de que o uso de armas químicas pela Rússia e a violação de seus compromissos internacionais de direitos humanos têm consequências graves”.

“Mantemos a condição de ir mais longe e, você sabe, dependendo de nossa avaliação do comportamento russo de agora em diante, vamos passar a utilizar outras opções conforme for necessário”, disse outro funcionário.

Os oficiais do governo não divulgaram os nomes dos alvos das sanções, mas um funcionário disse que a lista “incluirá algumas pessoas mencionadas pelos apoiadores de Navalny”. No final de janeiro, a Fundação Anticorrupção de Navalny (FBK, na sigla em russo) havia dito que apresentou uma lista com 35 pessoas em uma carta endereçada a Biden, com oito indivíduos nomeados como prioritários para sanções. Entre esses nomes está o bilionário russo Roman Abramovich e o ministro da Saúde da Rússia, Mikhail Murashko.

Uma investigação conduzida pela CNN e pelo site Bellingcat identificou os especialistas do serviço russo que rastreavam Navalny antes de seu envenenamento.

As autoridades enfatizaram que as sanções dos Estados Unidos sobre o envenenamento de Navalny são apenas as primeiras de uma série de respostas às ações russas, com “mais por vir” em várias frentes, incluindo o ataque cibernético à empresa SolarWinds.

Os oficiais deixaram claro aos repórteres que essa abordagem para com a Rússia seria uma ruptura à maneira como o ex-presidente Donald Trump tratava o país. Ele era criticado por ser muito brando com Moscou e com o presidente russo Vladimir Putin.

“O tom e o conteúdo de nossas conversas com a Rússia e sobre a Rússia serão muito diferentes do que você viu no governo anterior”, disse um dos oficiais.

O funcionário falou ainda que os Estados Unidos não estão tentando “reiniciar” nem intensificar seu relacionamento com a Rússia. Em vez disso, o objetivo do governo Biden é manter um relacionamento “previsível e estável”.

Além do envenenamento de Navalny, o governo Biden está fazendo uma ampla revisão dos delitos russos, que vão desde o ataque maciço à SolarWinds, incluindo supostas recompensas sobre soldados dos Estados Unidos no Afeganistão, até a interferência nas eleições americanas.

“Estamos analisando tudo isso e posso dizer com confiança que tomaremos as medidas cabíveis conforme acharmos adequado, para deixar bem claro que esse tipo de conduta é inaceitável para nós, e as faremos com nossos aliados e parceiros”, disse o secretário de Estado Tony Blinken, em uma entrevista com a ex-secretária Hillary Clinton, que foi exibida na terça-feira.

Durante a ligação, as autoridades também enfatizaram várias vezes que a resposta à Rússia sobre o que houve com Navalny foi coordenada com aliados – um detalhe que eles disseram representar outra mudança das ações, muitas vezes unilateral, tomadas pelo governo Trump.

Nesta terça, a União Europeia impôs sanções a quatro cidadãos russos ligados ao envenenamento de Navalny.  

(Com informações de Nicole Gaouette, Jeremy Diamond, Zahra Ullah, Matthew Chance, Anna Chernova e James Frater. Texto traduzido, leia o original em inglês

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