EUA e Irã estão perto de "algum tipo" de acordo, diz ministro do Paquistão
Mediador afirma que negociações avançaram, mas retórica hostil e novos ataques marítimos complicam saída diplomática
O Paquistão afirmou que os Estados Unidos e o Irã estão próximos de "algum tipo" de acordo, sem fornecer maiores detalhes sobre os termos ou o prazo das negociações. A declaração foi feita em meio à continuidade das tensões no Oriente Médio e a novos ataques contra embarcações na região.
Declaração genérica do mediador
Quem fez o anúncio foi o ministro da defesa do Paquistão, Khawaja Muhammad Asif, figura engajada nas tratativas entre os dois países e que atua ao lado do Catar como mediador no conflito. Segundo o analista sênior de Internacional da CNN, Américo Martins, a declaração foi "uma das mais genéricas, mais sem detalhes" desde o início do conflito.
O Paquistão já havia desempenhado papel relevante na negociação do primeiro cessar-fogo entre os dois países — um acordo considerado tão amplo e vago que ambos os lados interpretaram suas cláusulas de forma distinta.
Aquele entendimento não se sustentou: o Irã voltou a atacar navios no Estreito de Ormuz e o conflito foi retomado com novos ataques pesados entre as duas nações.
Sinais contraditórios das partes
Apesar da declaração do mediador paquistanês, os sinais públicos emitidos pelos dois lados apontam na direção oposta. Os Estados Unidos fizeram novas ameaças contra o Irã, enquanto Teerã apresentou uma longa lista de exigências para liberar o Estreito de Ormuz.
O Irã também nega estar negociando diretamente com Washington. Além disso, o presidente americano, Donald Trump, declarou que pretende exigir indenização do Irã por mortes causadas no Ocidente e no Oriente Médio por ações ligadas ao governo iraniano.
"A gente tem uma retórica que continua sendo muito acentuada, o Estreito de Ormuz que continua fechado, a negação por parte do Irã de que pode estar conversando com os Estados Unidos e, de repente, uma declaração de um dos mediadores muito genérica, muito ampla, sem maiores detalhes", analisou Américo Martins.
Novos ataques marítimos complicam o cenário
Dois novos incidentes marítimos registrados na região agravaram ainda mais o cenário diplomático. O primeiro envolveu um navio que tentava passar pelo Mar Vermelho e foi bloqueado pelos Houthis — grupo com fortes laços com o Irã que já havia feito ameaças contra a Arábia Saudita.
Há suspeitas de que a embarcação atacada tenha ligações com o país saudita. O ataque, realizado com um míssil, teria resultado na morte de pelo menos quatro marinheiros.
O segundo incidente envolveu embarcações militares, provavelmente dos Estados Unidos, com um barco que passava pelo Estreito de Ormuz em direção ao Golfo de Omã — aparentemente uma retaliação americana contra navios com interesse em utilizar portos no Irã.
Para Américo Martins, esses dois ataques "podem levar à ampliação desse conflito, inclusive se os interesses da Arábia Saudita forem atingidos de fato por esse grupo que é muito ligado ao Irã".
Apesar das declarações do mediador paquistanês terem provocado reações positivas em alguns mercados da região, o analista foi categórico ao avaliar o quadro atual: "Por enquanto, os sinais não são, infelizmente, de acordo, ao contrário do que diz o ministro".


