EUA e Irã não estão tão distantes quanto parecem, dizem fontes

Diplomacia intensa nos bastidores foca em processo gradual, começando pela reabertura do Estreito de Ormuz

Nic Robertson, da CNN
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Os Estados Unidos e o Irã podem não ter se reunido para uma segunda rodada de negociações no Paquistão, mas, segundo fontes familiarizadas com o processo de mediação, as duas partes não estão tão distantes quanto parecem.

A diplomacia continua intensa nos bastidores, afirmam as fontes, e as negociações em curso se concentram em um processo gradual, no qual a primeira parte de um possível acordo visaria o retorno ao status quo anterior à guerra e a reabertura do Estreito de Ormuz sem restrições ou pedágios.

A questão do programa nuclear iraniano – que tanto os EUA quanto Israel citaram como seu casus belli – seria abordada posteriormente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, já afirmou que qualquer acordo exigiria que o Irã renunciasse ao seu fornecimento de urânio enriquecido próximo ao grau necessário para bombas nucleares e abandonasse o processo de enriquecimento, exigências que o Irã se recusa veementemente a aceitar.

Segundo as fontes, os mediadores estão pressionando os dois lados para que cheguem a um acordo, sendo os próximos dias cruciais. Pairando sobre tudo isso está a possibilidade de os Estados Unidos decidirem se retirar das negociações e retomar a guerra.

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Próximos passos de Trump

Não estava claro na segunda-feira (27) quais seriam os próximos passos de Trump. Reabrir o estreito sem resolver as questões relacionadas ao programa nuclear iraniano poderia eliminar uma importante peça de influência americana nas negociações, disseram autoridades.

No entanto, permitir que a hidrovia permaneça bloqueada prolongaria os altos preços da energia que causaram a disparada do preço da gasolina nos Estados Unidos.

Carga iraniana ainda transita pelo Estreito de Ormuz

A maioria dos navios que transitaram pelo estreito nos últimos dias seguiu uma rota designada pelas autoridades iranianas, e cerca de metade deles carregou em portos iranianos, segundo dados de navegação.

Isso representa um desafio ao bloqueio dos EUA que visa impedir que navios utilizem portos iranianos.

Crise energética

Os preços do petróleo subiram para o nível mais alto em três semanas na segunda-feira, enquanto os preços da gasolina nos EUA subiram um centavo, para US$ 4,11 por galão.

Irã estuda como proceder

Teerã está reavaliando como avançar na diplomacia para pôr fim à guerra, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, durante sua reunião na Rússia, atribuindo o progresso lento aos "hábitos destrutivos" de Washington, incluindo "exigências irracionais".

Frágil cessar-fogo entre Israel e Líbano

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA estão "cientes" dos ataques israelenses ao Líbano durante o cessar-fogo e que os EUA instaram Israel a "garantir que suas respostas sejam proporcionais e direcionadas".

Uma análise de imagens de satélite feita pela CNN mostra que as demolições continuaram no Líbano desde que a trégua entrou em vigor, com as operações terrestres começando a assumir a aparência daquelas vistas em Gaza.

Uma trégua no Líbano tem sido um ponto crucial nas negociações entre Washington e Teerã.

Mensagens de felicitações de Putin

Putin pediu às autoridades iranianas que “transmitissem ao líder supremo meu apreço pela sua mensagem e meus melhores votos de saúde e bem-estar”, segundo o Kremlin. Ele também afirmou que a Rússia “fará tudo o que for necessário para atender aos seus interesses (do Irã)” para garantir a paz.

Estado de saúde de Khamenei

Rubio afirmou que os EUA "têm indícios" de que Khamenei ainda está vivo, embora tenha dito que não está claro quanto poder o novo líder supremo detém.

Uma fonte disse à CNN no mês passado que Khamenei sofreu uma fratura no pé, uma contusão no olho esquerdo e pequenos cortes no rosto nos ataques que mataram seu pai.

EUA "humilhados"

O chanceler alemão, Friedrich Merz, declarou que os EUA estão "sendo humilhados" pelo Irã, ao criticar as tentativas de Washington de se desvencilhar da guerra.

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