EUA rastreiam falha em lançamento de satélite do Irã; imagens indicam novo teste

Imagens de satélite mostram aumento da atividade na base de lançamento espacial iraniana Ímã Khomeini

Em 19 e 20 de junho, o Planet capturou duas imagens que mostram o Irã se preparando novamente para o lançamento do Simorgh, de acordo com especialistas do Instituto de Assuntos Internacionais de Middlebury em Monterey.
Em 19 e 20 de junho, o Planet capturou duas imagens que mostram o Irã se preparando novamente para o lançamento do Simorgh, de acordo com especialistas do Instituto de Assuntos Internacionais de Middlebury em Monterey. Foto: Planet Labs/Maxar/Middlebury Institute of International Affairs at Monterey

Zachary Cohen e Oren Liebermann, CNN

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O Pentágono observou enquanto o Irã tentava, sem sucesso, lançar outro satélite em órbita no início deste mês, disseram vários oficiais de defesa à CNN internacional.

Mas, embora o esforço anterior, que ocorreu em meados de junho, tenha sido malsucedido, o Irã parece estar se preparando para outra tentativa no futuro próximo, já que imagens de satélite capturadas pelas empresas Planet e Maxar mostram aumento da atividade na base de lançamento espacial Ímã Khomeini nos últimos dias, de acordo com especialistas do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais de Monterey, que analisaram as fotos.

Recipientes de combustível, veículos de apoio e uma plataforma móvel são visíveis em imagens de satélite tiradas do local em 20 de junho, o que os especialistas em Middlebury dizem ser um indicador de que outra tentativa de lançamento pode acontecer nos próximos dias ou semanas.

As imagens também mostram o aumento da atividade dos veículos no local de lançamento de Khomeini, localizado a cerca de 320 quilômetros a leste de Teerã, o que, segundo especialistas, é outro sinal de um lançamento potencialmente iminente.

“O Comando Espacial dos Estados Unidos está ciente da falha no lançamento do foguete iraniano que ocorreu em 12 de junho”, disse o porta-voz do Pentágono, tenente-coronel Uriah Orland, em comunicado à CNN. Não ficou claro por que o lançamento não teve sucesso e em que estágio ele falhou, segundo as autoridades. As tentativas iranianas anteriores de lançar satélites em órbita explodiram na plataforma de lançamento ou falharam em um estágio posterior.

O aumento da atividade na base de lançamento do Irã ocorre em um momento crítico nas relações entre Teerã e Washington. Os dois países estão em negociações delicadas para um retorno ao acordo nuclear com o Irã, conhecido como Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), e a possível flexibilização das sanções contra o Irã. A atividade também ocorre nas últimas semanas do mandato do presidente Hassan Rouhani, antes dele ser substituído pelo ultraconservador chefe do judiciário Ebraham Raisi em agosto.

Embora as autoridades de defesa dos Estados Unidos não tenham identificado o foguete usado no lançamento no início deste mês, Jeffrey Lewis, professor do Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury, disse que provavelmente era o foguete Simorgh, um veículo de lançamento espacial que usa motores baseados em um design norte-coreano.

“A tentativa de lançamento fracassada é a quarta falha consecutiva do lançador Simorgh”, disse Lewis, autor de um novo livro sobre o programa espacial iraniano. “O Irã parece estar em dificuldades com este sistema específico. Outros foguetes iranianos de projetos diferentes tiveram mais sucesso”.

Os críticos do Irã veem os lançamentos de satélites como um passo provocativo, já que os foguetes usam tecnologia semelhante à necessária para mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs).

“Os iranianos têm uma longa história de confundir o comercial com o militar”, disse Bradley Bowman, diretor sênior do Centro de Poder Político e Militar da Fundação para a Defesa das Democracias.

“Qualquer coisa que o Irã esteja fazendo no espaço eu ficaria preocupado, porque eles vão […] usar essas mesmas capacidades contra nós em um conflito militar”.

Após o lançamento em abril passado, Fabian Hinz, um analista independente de código aberto com foco em mísseis do Oriente Médio, observou os desenvolvimentos tecnológicos. “Considerando que o programa civil do Irã usa lançadores mal adequados para conversão em mísseis balísticos, o IRGC parece ter a intenção de desenvolver tecnologia de lançador aplicável ao desenvolvimento de mísseis de longo alcance e sinalizar mais ou menos sutilmente essas capacidades”, escreveu ele na época.

O último lançamento, realizado em 12 de junho, ocorre mais de um ano após a última tentativa do país de colocar um satélite em órbita. Em abril do ano passado, o Irã lançou o satélite militar Nour 01 em órbita após tentativas fracassadas de lançar satélites semelhantes em um movimento que revelou um aspecto militar do programa espacial civil do país. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que o lançamento foi bem-sucedido, mas o líder do Comando Espacial dos Estados Unidos, general Jay Raymond, rapidamente rejeitou a afirmação.

“O Irã afirma ter recursos de imagem – na verdade, é uma webcam caindo aos pedaços no espaço; improvável que forneça informações”, disse Raymond no Twitter alguns dias após o lançamento.

O Comando Espacial dos Estados Unidos rastreou dois objetos desde o lançamento: o satélite Nour e o corpo do foguete. O satélite permanece em órbita, mas o Pentágono acredita que não seja utilizável.

“O último lançamento espacial do Irã ocorreu em abril de 2020 e colocou um microssatélite simples (NOUR-1) em órbita, que o Comando Espacial dos Estados Unidos continua rastreando. No entanto, nossas observações persistentes deste objeto demonstram que ele está descontrolado e não operacional”, disse o porta-voz do Pentágono, tenente-coronel Uriah Orland, em um comunicado à CNN na terça-feira.

Agora o Irã parece pronto para tentar novamente.

“O Irã anunciou três lançamentos espaciais este ano usando o Simorgh. O fato deles estarem tentando de novo tão rapidamente diz muito sobre o quanto o programa espacial deseja um sucesso”, disse Lewis.

No entanto, Lewis sugeriu que o Irã desenvolveria um foguete diferente se perseguisse ICBMs, dizendo: “O Simorgh é enorme e usa motores que são basicamente motores Scud superdimensionados, que são bastante ineficientes. Se o Irã quisesse construir um ICBM, seguiria o caminho da Coreia do Norte e construiria um ICBM com um motor melhor e pequeno o suficiente para ser transportado por um caminhão”.

No passado, o programa espacial do Irã foi impactado por uma série de falhas e contratempos que impediram o país de colocar efetivamente um satélite em órbita.

Em agosto de 2019, um foguete iraniano explodiu em sua plataforma de lançamento na base de lançamento de Khomenei, em Semnam. Um mês depois, a administração Trump impôs sanções à Agência Espacial Iraniana pela primeira vez na história.

Em janeiro de 2019 e julho de 2017, a Agência Espacial Iraniana lançou um veículo lançador espacial de dois estágios, mas ambos os lançamentos não conseguiram colocar um satélite em órbita.

Este é um texto traduzido, para ler o original, em inglês, clique aqui.

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