EUA violaram direito internacional ao invadir Venezuela? Entenda

Em entrevista ao Agora CNN, Priscila Caneparo explica que intervenções em territórios estrangeiros só são permitidas com autorização do Conselho de Segurança ou em caso de legítima defesa

Da CNN Brasil
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A professora da Umbra University, Priscila Caneparo, afirmou em entrevista ao Agora CNN que os Estados Unidos violaram o direito internacional ao realizar ataques à Venezuela, destacando que o interesse declarado pelo petróleo venezuelano agrava a situação do ponto de vista jurídico.

Segundo a especialista, o direito internacional só permite intervenções em territórios estrangeiros em duas situações específicas: quando há autorização do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), o que não ocorreu neste caso, ou quando existe uma ameaça concreta que justifique legítima defesa.

"O Estado não pode ter o poder de fazer uma intervenção dentro da soberania do Estado por conta de recursos naturais, recursos minerais, recursos econômicos", explicou Caneparo, referindo-se à recente declaração de Donald Trump de que o interesse norte-americano seria o petróleo venezuelano.

A professora alertou sobre os riscos que esse precedente pode representar para outros países da América do Sul. "A gente precisa destacar que o interesse dos Estados Unidos para violar a soberania de um Estado da América do Sul, pela primeira vez na história com um ataque, nada obsta que o Trump, no segundo momento, venha justamente a requerer os recursos naturais do Peru ou inclusive as terras raras brasileiras", advertiu.

Interesses econômicos versus direitos humanos

Embora reconheça a situação política na Venezuela, a especialista enfatizou que a motivação da intervenção não está relacionada à defesa dos direitos humanos. "Obviamente que o Maduro é um ditador, é claro isso. Existe uma perspectiva, sim, de violação e deterioração dos direitos humanos da sociedade venezuelana, mas não é isso com que o Trump está preocupado", destacou.

Caneparo também lembrou que o Brasil é o segundo maior detentor de terras raras no mundo, atrás apenas da China, o que poderia eventualmente despertar interesses semelhantes.

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