Europa tende a se alinhar aos EUA, diz especialista
Ao WW, Vitelio Brustolin, professor da UFF e pesquisador de Harvard aponta formação de dois grandes blocos: Europa e EUA de um lado, Rússia e China do outro
Vitelio Brustolin, professor da UFF e pesquisador de Harvard, avaliou ao WW, o atual movimento de reconfiguração das alianças internacionais. Segundo ele, a tendência é de que os países europeus, o Canadá e a Austrália se alinhem aos Estados Unidos, independentemente de Trump ou de seu sucessor, enquanto Rússia e China consolidam uma aliança própria.
Canadá e a busca por alianças entre potências médias
Brustolin destacou que primeiro-ministro canadense, Mark Carney, tem sido muito estudado pela diplomacia internacional por defender que potências médias precisam formar alianças.
O Canadá, segundo o especialista, está acenando para a União Europeia e recebeu um convite para se tornar uma espécie de Estado associado ao bloco — uma figura que sequer existe no estatuto da União Europeia.
"É necessário que potências médias façam alianças, o que é justamente o que o Canadá faz nesse momento", afirmou Brustolin. A Austrália também estaria nessa mesma fila de aproximação com o bloco europeu.
O especialista observou ainda que esse movimento levanta questionamentos sobre a decisão do Brexit.
"Nós vemos países como o Canadá e a Austrália tentando se alinhar com a União Europeia nesse momento", disse, sugerindo que a saída do Reino Unido do bloco europeu se mostra, nesse contexto, ainda mais equivocada.
Fragmentação do sistema internacional e a "lei da selva"
Para Brustolin, a fragmentação do sistema internacional construído após a Segunda Guerra Mundial impulsiona potências médias e menores a buscar grandes blocos. Caso contrário, segundo ele, prevaleceria a chamada "lei da selva".
Essa lógica, ressaltou o especialista, remete à experiência da Guerra Fria, quando as potências tenderam a se organizar em torno de dois polos.
Dois grandes blocos em formação
A tendência apontada por Brustolin é a formação de dois grandes blocos: de um lado, o alinhamento entre Rússia e China — que já existe, embora a China não atue diretamente na guerra na Ucrânia; de outro, Europa, Canadá e Austrália buscando uma aliança com os Estados Unidos.
O especialista ressaltou que a China é a maior compradora do petróleo iraniano, atuando de forma indireta em favor da Rússia. "Essa é a tendência, a formação de dois grandes blocos", afirmou.
No entanto, Brustolin ponderou que há muitas rupturas e tensões entre as relações desses países, o que torna incerto o desfecho final desse processo de realinhamento global.



