Ex-chefe de gabinete da Casa Branca apoia uso da 25ª Emenda para tirar Trump

John Kelly, ex-chefe de de gabinete da Casa Branca, diz que violência no Capitólio foi resultado direto do "envenenamento às mentes das pessoas com mentiras"

Por Devan Cole, da CNN

Ouvir notícia

 

O ex-chefe de gabinete da Casa Branca John Kelly disse, nesta quinta-feira (7), que, se fosse hoje um membro do gabinete do presidente Donald Trump, apoiaria o uso da 25ª Emenda à Constituição para destituir o presidente do cargo após o tumulto com mortes no Capitólio dos EUA.

“Sim, eu faria”, disse Kelly ao apresentador Jake Tapper, da CNN americana, quando questionado se apoiaria invocar a emenda se ele tivesse uma votação.

Leia também:
Pessoas que invadiram o Capitólio estão sendo identificadas e perdendo empregos
Trump questiona assessores se é possível conceder perdão presidencial a si mesmo
Criticado por ações durante invasão, chefe da Polícia do Capitólio renuncia

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Foto: REUTERS

Os comentários de Kelly, que deixou a Casa Branca sob circunstâncias litigiosas em janeiro de 2019, aparecem em meio à uma uma lista crescente de membros democratas e republicanos do Congresso pedindo que Trump seja removido do cargo por meio de impeachment ou da 25ª Emenda.

A fala também representa uma das mais fortes repreensões a Trump por um ex-membro de sua Casa Branca em meio às consequências da violência na quarta-feira. Invocar a 25ª Emenda exigiria que o vice-presidente Mike Pence e a maioria do gabinete votassem para remover Trump do cargo devido à sua incapacidade de “cumprir os poderes e deveres” – um passo sem precedentes.

“Acho que o gabinete deve se reunir e discutir. Não acho que isso vá acontecer, mas acho que o gabinete deve se reunir e discutir isso porque o comportamento de ontem e nas semanas e meses anteriores foi ultrajante do presidente “, disse Kelly, que ocasionalmente criticou Trump desde que deixou seu posto.
“O que aconteceu ontem no Capitólio é resultado direto de seu envenenamento às mentes das pessoas com mentiras e fraudes”, acrescentou.

Kelly, que sempre se manteve discreto desde que deixou a Casa Branca, disse a Tapper que ficou “horrorizado” com as cenas violentas.

“Apenas uma cena inacreditável no Capitólio. Francamente, as ações e palavras do presidente não me surpreenderam de forma alguma, mas fiquei muito, muito surpreso que aquelas pessoas iriam causar o dano que causaram e envergonhar a todos nós”, disse ele, referindo-se à multidão pró-Trump.

Kelly também rejeitou comentários feitos por seu sucessor, Mick Mulvaney, que renunciou na quarta-feira de um cargo diplomático que ocupava no governo, dizendo que Trump não é o mesmo de vários meses atrás.

“Não acho que ele mudou nem um pouco”, disse Kelly quando questionada sobre os comentários. “É claro que ele está furioso porque perdeu uma eleição. Ele é motivo de chacota agora e está começando. Mas, novamente, alguém precisa ajudar e gerenciá-lo.”

Além de Mulvaney, vários outros oficiais renunciaram ao governo em protesto contra os atos de quarta-feira e a reação de Trump a ele, incluindo a secretária de Transporte Elaine Chao, um dos membros mais antigos do gabinete de Trump que oficialmente deixará seu posto na segunda-feira.

O vice-assessor de segurança nacional de Trump, Matt Pottinger, também está entre as pessoas que deixaram o governo, assim como a chefe de gabinete da primeira-dama, Stephanie Grisham, assessora de imprensa e secretária social da Casa Branca.

 

 

Mais Recentes da CNN