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    Exclusivo: drone de fabricação chinesa, adaptado e armado, é abatido na Ucrânia

    Veículo conhecido como "drone Alibaba", disponível em sites chineses por até US$ 15 mil, voava baixo o suficiente para ser derrubado com armas portáteis; drone carregava uma bomba que foi detonada com segurança

    Um Mugin-5, um veículo aéreo não tripulado comercial (UAV) de fabricação chinesa, é abatido no leste da Ucrânia
    Um Mugin-5, um veículo aéreo não tripulado comercial (UAV) de fabricação chinesa, é abatido no leste da Ucrânia Reprodução / CNN

    Rebecca WrightIvan WatsonOlha KonovalovaTom Boothda CNN

    Leste da Ucrânia

    Dirigindo para o interior da floresta, o silêncio entre os pinheiros imponentes e o céu azul claro era quebrado a cada poucos segundos pelo som de explosões distantes das batalhas da linha de frente no leste da Ucrânia.

    Nos guiando pela floresta a pé, os soldados ucranianos nos levaram a uma clareira onde nos mostraram os destroços de um drone armado que eles disseram ter abatido com suas armas automáticas AK-47 durante o fim de semana.

    O drone era um Mugin-5, um veículo aéreo não tripulado (UAV, na sigla em inglês) comercial fabricado por uma empresa chinesa com sede na cidade portuária de Xiamen, na costa leste da China.

    Alguns blogueiros de tecnologia dizem que as máquinas são conhecidas como “drones Alibaba”, pois estão disponíveis para venda por até US$ 15 mil em sites de compras chineses, incluindo o Alibaba e o Taobao.

    A Mugin Limited confirmou à CNN que era a fuselagem do veículo aéreo era deles, chamando o incidente de “profundamente infeliz”.

    É o exemplo mais recente de um drone civil sendo adaptado e armado desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, um sinal da rápida mudança nos padrões da guerra.

    “Na linha de frente, basicamente o tempo todo estamos conduzindo reconhecimento aéreo”, disse Maksim, um combatente de defesa territorial de 35 anos que quer usar apenas o primeiro nome.

    Baixa altitude

    Durante a noite de sexta-feira para sábado, o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) disse à CNN que seus agentes baseados em território controlado pela Rússia os alertaram de que um UAV havia sido lançado de lá, indo em direção a um alvo ucraniano.

    O SBU então soou o alarme com unidades militares baseadas no leste da Ucrânia, perto da cidade de Sloviansk.

    Por volta das 2h da manhã de sábado, combatentes da 111ª Brigada das Forças de Defesa Territorial da Ucrânia ouviram o drone acima e até viram uma luz piscando na aeronave.

    “Pelo som, pela luz do sinal, as tropas atiraram muito nele e derrubaram o UAV”, disse Maksim.

    Maksim disse que o UAV estava voando em altitude muito baixa – perto o suficiente para derrubá-lo com armas portáteis.

    Agora, caído no chão da floresta, um buraco de bala era visível no nariz da máquina, que se quebrou e sofreu danos significativos.

    Combatentes ucranianos disseram que derrubaram o drone que voava baixo com armas de fogo pequenas / Reprodução / CNN

    Perto dali, os soldados também nos mostraram uma pequena cratera na terra que foi criada pela carga do UAV – uma bomba de aproximadamente 20 quilos, que mais tarde foi detonada com segurança pelos combatentes.

    Em um vídeo compartilhado com a CNN, os combatentes ucranianos mostraram como conectaram uma carga de demolição fabricada nos Estados Unidos e correram pela floresta até o caminhão, antes de partirem em alta velocidade.

    A uma distância de cerca de 500 metros, eles pararam o veículo e se viraram para filmar o poderoso impacto da explosão – um lembrete do dano potencial que poderia ter causado se a bomba tivesse atingido o alvo pretendido em solo ucraniano.

    A CNN procurou o Ministério da Defesa da Rússia para comentar o incidente, mas ainda não recebeu uma resposta.

    “Rude, sem sofisticação”

    O drone comercial armado não tinha uma câmera instalada, o que significa que não poderia ter sido usado para vigilância e, essencialmente, o torna semelhante a uma “bomba burra”, de acordo com Chris Lincoln-Jones, oficial aposentado do exército britânico e especialista em guerra de drones.

    “Esse drone em particular que estamos analisando seria muito mais eficaz se tivesse uma câmera decente”, disse Lincoln-Jones.

    Ele acrescentou que a máquina dá mais evidências à teoria de que a Rússia não é a superpotência militar que o mundo esperava.

    “Esta parece ser uma forma muito rudimentar, pouco sofisticada e pouco avançada tecnologicamente de conduzir as operações”, disse, acrescentando que o preço das máquinas é muito barato em termos militares.

    “Os ucranianos têm que fazer o que puderem”, acrescentou, então ele espera que eles sim usem “muito mais armas improvisadas”.

    Combatentes ucranianos disseram que o Mugin-5 que eles derrubaram foi adaptado para carregar uma bomba / Reprodução / CNN

    Em janeiro, autoridades da região de Luhansk, controlada pela Rússia, no leste da Ucrânia, afirmaram em um post no Telegram que haviam derrubado um Mugin-5 lançado por forças ucranianas.

    As autoridades ucranianas não comentaram sobre esse incidente em particular, mas especialistas disseram que há evidências de que ambos os lados do conflito utilizaram essa tecnologia.

    “Tanto a Rússia quanto a Ucrânia usaram plataformas chinesas comercialmente disponíveis como esta durante o conflito, inclusive em funções armadas”, disse N. R. Jenzen-Jones, especialista em inteligência de armas e munições e diretor da consultoria Armament Research Services.

    “Nesse caso, o Mugin-5 Pro provavelmente estava sendo usado em uma função de ‘bombardeiro’, e não como um ataque unidirecional UAV (o OWA, também chamado de ‘sacrifício’)”, disse Jenzen-Jones.

    A munição carregada no drone provavelmente era um projeto de “alta fragmentação explosiva”, que era “simples e não muito aerodinâmica”, disse ele.

    Jenzen-Jones acrescentou que o mecanismo de liberação da bomba parecia ter sido feito com componentes impressos em 3D, o que “sugere que o UAV foi rapidamente adaptado”.

    “Não estamos felizes com isso”

    À medida que o armamento evolui em tempo real nos campos de batalha da Ucrânia, as empresas civis por trás da tecnologia que está sendo armada para matar agora estão lutando para encontrar maneiras de impedir que seus produtos entrem na cadeia de suprimentos militar.

    “Não toleramos o uso. Estamos fazendo o possível para pará-lo”, disse um porta-voz da Mugin Limited à CNN.

    Em uma declaração anterior publicada no site da empresa em 2 de março, a Mugin Limited disse que “condena” o uso de seus produtos durante a guerra e disse que parou de vender produtos para a Rússia ou a Ucrânia no início da guerra.

    A CNN também procurou meia dúzia de outras empresas cujas peças eletrônicas eram visíveis no UAV abatido.

    Isso inclui servos fabricados pela MKS, uma fabricante taiwanesa de dispositivos eletrônicos.

    “Alguns fabricantes de UAV podem adotar servos MKS em seus produtos acabados para uso militar, não estamos felizes com isso e é contra a missão e visão de nossa empresa”, disse um porta-voz da empresa em um e-mail à CNN.

    O aviso de isenção de responsabilidade do site MKS também afirma que seus produtos são “proibidos” para qualquer uso ilegal ou militar.

    Um sensor na placa de circuito adaptada do UAV foi fabricado pela Novatel, parte do grupo Hexagon com sede no Canadá, que fornece peças para indústrias como “agricultura, construção e automotiva”.

    “Para todos os produtos controlados por exportação, temos processos de controle extensivos para garantir que sejam fornecidos em conformidade com as leis de exportação aplicáveis”, disse um porta-voz da Hexagon à CNN por e-mail.

    “Em abril de 2022, também tomamos a decisão de congelar todas as atividades comerciais na Rússia”.

    Apesar dos sinais de que o uso da tecnologia UAV neste conflito está aumentando, o combatente ucraniano Maksim nega que isso tenha se tornado uma guerra dos drones.

    “Não é uma guerra de tecnologia”, disse ele. “A guerra é primeiramente uma guerra de pessoas”.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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