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    Execuções no Irã sobem 75% para “incutir medo” em manifestantes, diz relatório

    Segundo documento de grupos de direitos humanos, mais da metade das execuções no ano passado ocorreu depois que os protestos começaram e que, para evitar reações internacionais, governo tem usado acusações não políticas

    Manifestantes se reúnem em torno de uma barricada em chamas durante um protesto por Mahsa Amini em Teerã
    Manifestantes se reúnem em torno de uma barricada em chamas durante um protesto por Mahsa Amini em Teerã AFP/Getty Images

    Kareem El DamanhouryJoseph Atamanda CNN*

    O Irã executou ao menos 582 pessoas no ano passado, um aumento de 75% em relação ao ano anterior, de acordo com grupos de direitos humanos que dizem que o aumento reflete um esforço de Teerã para “incutir medo” entre os manifestantes antiregime.

    Esse foi o maior número de execuções na república islâmica desde 2015, de acordo com um relatório divulgado quinta-feira pelos grupos Direitos Humanos do Irã (IHR), sediado na Noruega, e Juntos Contra a Pena de Morte (ECPM), com sede na França.

    A grande maioria das execuções – ao menos 544 – foram de pessoas acusadas de assassinato e crimes relacionados a drogas, disse o relatório. E acrescentou que quase 90% das execuções registradas não foram anunciadas pelas autoridades iranianas e algumas foram realizadas em segredo.

    Os dois grupos de direitos humanos disseram que o aumento foi a maneira de Teerã tentar assustar os manifestantes e impedir a dissidência, após uma revolta nacional provocada pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, em setembro passado.

    “As autoridades do Irã demonstraram como a pena de morte é crucial para incutir o medo na sociedade a fim de manter o poder”, disse o relatório.

    As autoridades iranianas responderam aos protestos com força bruta, prisões em massa e julgamentos falsos apressados, atraindo forte condenação global e sanções dos Estados Unidos.

    O relatório documentou 15 execuções realizadas sob acusações vagamente definidas de “inimizade contra Deus” e “corrupção na Terra”.

    Mohsen Shekari – supostamente a primeira pessoa a ser executada em conexão com os protestos – foi enforcado em 8 de dezembro depois de ser condenado por “travar guerra contra Deus” por supostamente esfaquear um membro da força paramilitar Basij, um braço da Guarda Revolucionária do Irã, em um protesto em Teerã em 23 de setembro.

    Menos de uma semana depois, Majidreza Rahnavard também foi condenado por supostamente matar dois membros da mesma força paramilitar e ferir outros quatro em 17 de novembro.

    Dois outros jovens iranianos – Mohammad Mehdi Karami, campeão de caratê; e Seyed Mohammad Hosseini, treinador infantil voluntário – foram enforcados em 7 de janeiro deste ano em conexão com os protestos, segundo a agência de notícias judiciária do Irã, Mizan.

    Seyed Mohammad Hosseini e Mohammad Mehdi Karami foram executados em 7 de janeiro / Mizan News

    Eles foram condenados por matar um membro da força paramilitar Basij em Karaj, em 3 de novembro, informou Mizan. O relatório de direitos humanos disse que eles foram acusados de “corrupção na Terra”.

    Dezenas de outros manifestantes têm recebido sentenças de morte nos últimos meses.

    O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, elogiou abertamente o Basij por seu papel na repressão, descrevendo os manifestantes como “desordeiros” e “bandidos” apoiados por forças estrangeiras.

    Mas o chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, criticou a repressão por levar o Irã a uma “crise de direitos humanos”.

    Uma “máquina de execução”

    Mais da metade das execuções no ano passado ocorreu depois que os protestos começaram em setembro. Cerca de 44% de todos os condenados à morte foram acusados de delitos relacionados a drogas, apesar de nenhuma evidência de um aumento acentuado no uso ou tráfico de drogas relatado por agências internacionais, disse o relatório.

    Uma mulher iraniana em cima do capô de carro incendeia seu lenço na cabeça no centro de Teerã durante protestos por Mahsa Amini, 22, que morreu depois que ela foi presa pela polícia de moralidade do Irã por “hijab impróprio” / SalamPix/Abaca/Sipa USA

    O diretor do IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, sugeriu que o Irã teria executado ainda mais pessoas se não fosse pelas “reações internacionais às sentenças de morte contra os manifestantes” que “tornaram difícil para a república islâmica prosseguir” com os assassinatos.

    “Para compensar e espalhar o medo entre as pessoas, as autoridades intensificaram as execuções por acusações não políticas. Essas são as vítimas de baixo custo da máquina de execução da república islâmica”, disse Amiry-Moghaddam.

    “Para parar esta máquina, a comunidade internacional e a sociedade civil dentro e fora do Irã devem mostrar a mesma reação a cada execução”, acrescentou.

    No relatório, os dois grupos de direitos humanos instaram a comunidade internacional a “aumentar os esforços para apoiar as demandas do povo iraniano pelo respeito aos seus direitos humanos fundamentais e pela abolição da pena de morte”.

    *Com informações de Teele Rebane, Artemis Moshtaghian, Adam Pourahmadi e Jomana Karadsheh, da CNN.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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