Governo Trump envia acordo nuclear com Arábia Saudita ao Congresso
Apesar do envio, presidente americano ainda acredita que, para o tratado avançar, o país saudita deve aderir aos Acordos de Abraão, informou um funcionário da administração
O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, encaminhou para análise do Congresso o acordo sobre energia nuclear civil com a Arábia Saudita, informou um funcionário da administração à Reuters nesta terça-feira (25).
Segundo o oficial, o presidente americano ainda acredita que, para o tratado avançar, o país saudita deve aderir aos Acordos de Abraão e reconhecer Israel.
O acordo, fechado em julho e que permitiria a empresas dos EUA exportarem tecnologia nuclear civil para o reino, foi enviado ao Congresso na segunda-feira, segundo a autoridade americana, que pediu para não ser identificada.
A embaixada saudita em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Não ficou claro como Trump espera que o envio do acordo nuclear ao Congresso — que tem 90 dias de sessão para analisá-lo — fará avançar seus objetivos.
"A posição do presidente não mudou: o acordo só avançará se a Arábia Saudita aderir aos Acordos de Abraão", disse a autoridade americana em um e-mail, referindo-se aos acordos mediados pelos EUA entre Israel e nações árabes e de maioria muçulmana para normalizar relações.
Esses acordos, firmados em 2020 e 2021, envolveram Israel e os Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão.
Dias após concordar com o pacto nuclear saudita em julho, Trump — que trabalhou em um acordo semelhante durante seu primeiro mandato — estabeleceu a normalização das relações como condição para que o pacto entrasse em vigor.
O ex-presidente americano, Joe Biden, também buscou um acordo nuclear e queria vinculá-lo aos Acordos de Abraão. Diplomatas acreditavam que Riad estava perto de normalizar relações com Israel em 2023, mas o início da guerra de Israel em Gaza, em outubro de 2023, mudou o cenário.
A Arábia Saudita tem exigido um caminho irreversível para a criação de um Estado palestino antes de reconhecer Israel.
O acordo nuclear, com duração de 30 anos, prevê a construção de reatores AP1000 — um projeto avaliado em dezenas de bilhões de dólares que beneficiaria a Westinghouse, empresa de propriedade conjunta da canadense Cameco e da Brookfield Asset Management.
(Com informações da Reuters)


