Guerra impede professores ucranianos que trabalham na USP de voltar ao Brasil

À CNN Rádio, Kostiantyn Iusenko e Nataliia Goloshchapova, que estão na cidade ucraniana de Ternopil, contaram que viveram muitos momentos de medo em Kiev

Vista aérea de prédio destruído por disparos de artilharia em Borodyanka, na região de Kiev, na Ucrânia
Vista aérea de prédio destruído por disparos de artilharia em Borodyanka, na região de Kiev, na Ucrânia 03/03/2022 REUTERS/Maksim Levin

Amanda Garciada CNN

Em São Paulo

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O casal de professores ucranianos Kostiantyn Iusenko e Nataliia Goloshchapova estão impedidos de deixar a Ucrânia há um mês, desde a invasão russa.

Ambos trabalham na Universidade de São Paulo e estão em processo de naturalização brasileira. Eles viajaram para a Ucrânia no período do Natal, para visitar familiares, mas foram surpreendidos duas vezes, primeiro pelo diagnóstico de Covid-19 e, depois, pela guerra.

A lei marcial em vigor impediu que Kostiantyn pudesse retornar ao Brasil e, então, Nataliia decidiu permanecer junto ao companheiro. Todos os homens entre 18 e 60 anos não podem deixar o território ucraniano.

“A gente está agora, atualmente numa cidade tranquila, de Ternopil, e fazemos o melhor para ajudar as pessoas que estão aqui, com trabalho voluntário”, disse o professor, em entrevista à CNN Rádio.

No entanto, os dois estavam na capital Kiev nos primeiros nove dias. Nataliia explicou que eles ouviram muitos bombardeios: “Foi muito assustador ficar lá, ficamos abrigados em um apartamento, mas foi difícil porque muitas bombas caíram perto da região.”

Com medo de ficarem isolados na cidade, sem água ou luz, eles decidiram deixar Kiev: “Entramos em contato com voluntários que compram medicamentos para pessoas que precisam, trazem para Kiev e dão carona para quem precisa e foi o que fizemos.”

Ambos vivem a expectativa da flexibilização da lei marcial, para que pessoas que moram permanentemente em outro país possam sair da Ucrânia, mediante a uma apresentação de comprovante.

Nataliia reforçou que eles têm recebido suporte da USP: “Colegas brasileiros, o reitor, todos tentam ajudar para que a gente saia do país.”

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