Há 14 dias sem notícias, familiares procuram brasileira que mora na Ucrânia

Itamaraty informou que acionou organizações internacionais de apoio humanitário para conseguir localizar a brasileira; Silvana Pilipenko, o marido e a sogra estavam em Mariupol

A brasileira Silvana Pilipenko ao lado do marido Vasyl Pilipenko e dos sogros
A brasileira Silvana Pilipenko ao lado do marido Vasyl Pilipenko e dos sogros Reprodução/Arquivo Pessoal

Camille Coutoda CNN

no Rio de Janeiro

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Há 14 dias sem contato e notícias sobre a paraibana Silvana Pilipenko, que vive há 27 anos na Ucrânia, familiares no Brasil buscam informações sobre seu paradeiro, mas sem sucesso até o momento.

O Itamaraty informou que tem conhecimento do caso e que acionou organizações internacionais de apoio humanitário, por meio do escritório em Lviv, para conseguir localizar a brasileira.

A sobrinha da brasileira, Beatriz Vicente, estudante de Direito, relatou à CNN que o último contato com a família da Ucrânia aconteceu no último dia 02. Na ocasião, Silvana relatou numa chamada de vídeo o clima tenso e mostrava a escassez de alimentos no mercado e água encanada.

“Os dias são difíceis. A internet foi cortada. Ficamos sem energia. Os celulares e os computadores acabaram a energia também. O aquecimento da casa também foi desligado. A gente fica só aguardando. E há uma tensão muito forte no ar. Todos estão passando por isso, todos estão esperando uma negociação onde ponha fim a essa guerra. Eu peço para vocês continuarem orando”, disse ela aos parentes, segundo relatos.

De acordo com a família de Silvana, ela morava em Odessa, a terceira a maior cidade da Ucrânia e está localizada no maior porto comercial marítimo do país – com o marido, o ucraniano Vasyl Pilipenko, capitão da marinha mercante ucraniana.

Segundo familiares, Silvana foi a Mariupol cuidar da sogra

O casal deixou sua casa e foi em direção a Mariupol para cuidar da sogra de Silvana, de 86 anos, mas após os ataques a cidade, iniciados há quase duas semanas, parentes buscam notícias da família, sem retorno.

“Quando começou a guerra ela informou que não iria sair de lá, porque a sogra dela já é uma pessoa de idade, com problemas de locomoção. Então, ela preferiu ficar no seu apartamento. Estávamos em contato todos os dias. Ela informou que estava numa área que não estava sendo atacada, mas conseguia ouvir o bombardeio. No dia, ela também informou que estava tendo queda de energia, que a internet tinha sido suspensa, e que ela estava usando dados móveis”, relatou a sobrinha.

Com 400 mil habitantes, Mariupol se tornou alvo de ataques, que aconteceram com frequência desde o primeiro dia de março.

Hospital destruído por bombardeio russo em Mariupol / Reuters

Na última sexta-feira (11), o Comitê Internacional da Cruz Vermelha ressaltou a necessidade de um “acordo humanitário concreto com urgência”. Segundo o chefe da administração da cidade Oleksandr Starukh, mais de 4 mil carros transportando refugiados da cidade ucraniana chegaram a Zaporizhzhia. Entre as famílias, estavam 772 crianças.

Depois disso, 14 dias já se passaram e os parentes não conseguem mais contato com Silvana. O filho do casal, que trabalha embarcado em Dubai, também não conseguiu informações com amigos e parentes da Ucrânia porque a maioria já abandonou a região.

Beatriz conta que a família fez contato com as autoridades brasileiras que atuam no país, porém, foram informados que eles não poderiam interferir nesse momento.

“Entramos em contato com a embaixada brasileira, só que eles não podem intervir. Eles disseram que não estão entrando no país, não estão fazendo a retirada dos brasileiros. O máximo que a gente tem é um grupo no Telegram, que eles enviam horário de trens de pessoas que estão seguindo para outro país. Mas não tem nenhuma busca ativa, ninguém no país fazendo esse tipo de ajuda.”, lamentou.

Procurado pela CNN, o Itamaraty informou que tem conhecimento do caso e, por meio do escritório de apoio em Lviv, tem mantido contato regular com familiares da nacional. Organizações internacionais de apoio humanitário presentes na cidade já foram acionadas com vistas a tentar localizar a cidadã.

Em nota, o órgão de relações internacionais do governo brasileiro destacou que “em observância ao direito à privacidade e ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, informações detalhadas poderão ser repassadas somente mediante autorização dos envolvidos. Assim, o MRE não poderá fornecer dados específicos sobre casos individuais de assistência a cidadãos brasileiros.”

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