Há um ano: Relembre a queda de Bashar al-Assad na Síria

Regime do ditador foi derrubado pelo levante de grupos rebeldes que começou em diversas cidades do país e chegou na capital

Tom Perry, Michael Perry e Gareth Jones, da Reuters
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Os sírios celebram nesta segunda-feira (8) o primeiro aniversário da queda de Bashar al-Assad e do fim de seu regime autoritário, enquanto a nação luta para encontrar estabilidade e se recuperar após anos de guerra.

Celebrações oficiais estão planejadas para a Praça Omíada, no centro de Damasco, que tem estado repleta de manifestações festivas antes do dia 8 de dezembro, e em outras partes do país. Desfiles militares também são esperados.

Assad fugiu da Síria para a Rússia há um ano, quando rebeldes comandados pelo novo presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, tomaram Damasco e puseram fim ao seu governo, mais de 13 anos após o início de uma guerra que teve origem em uma revolta contra Assad.

Sharaa marcou a ocasião realizando as orações da madrugada na Mesquita Omíada de Damasco, segundo a agência de notícias oficial SANA.

 

Ele estava vestido com uniforme militar, semelhante ao que usou durante a vitoriosa campanha rebelde liderada por seu grupo islamista Hayat Tahrir al-Sham, informou a agência.

Sírios são convidados a se unirem

Sharaa, ex-comandante da Al-Qaeda, promoveu grandes mudanças que remodelaram as relações internacionais da Síria.

Ele estabeleceu relações com os EUA, conquistou o apoio dos países árabes do Golfo e da Turquia, e se afastou dos aliados de Assad, Irã e Rússia. As sanções ocidentais, que paralisavam o país, foram em grande parte suspensas.

Sharaa prometeu substituir o brutal estado policial de Assad por uma ordem inclusiva e justa.

A vice-enviada especial das Nações Unidas para a Síria, Najat Rochdi, afirmou que a queda de Assad representa "a primeira chance real em gerações" de remodelar o futuro do país.

Em Alepo, a primeira grande cidade a cair nas mãos das forças de Sharaa no ano passado, carros desfilavam pelas ruas buzinando, com passageiros agitando a nova bandeira da Síria.

"Começamos a amar o país. Antes não o amávamos, tentávamos fugir dele", disse Mohammed Karam Hammami, morador da cidade.

Síria marca um ano desde a queda de Assad • Reprodução/Reuters
Síria marca um ano desde a queda de Assad • Reprodução/Reuters

Mas centenas de pessoas foram mortas em surtos de violência sectária, causando novos deslocamentos e alimentando a desconfiança entre as minorias em relação ao governo de Sharaa, enquanto ele luta para trazer toda a Síria de volta à autoridade de Damasco.

A administração curda que governa o nordeste proibiu reuniões ou eventos por motivos de segurança, alegando aumento da atividade de "células terroristas" que buscam explorar a ocasião. Parabenizou os sírios pelo aniversário.

A administração curda tem buscado salvaguardar sua autonomia regional, enquanto no sul, alguns drusos — seguidores de uma seita minoritária dissidente do Islã — têm reivindicado a independência da província de Sweida desde que centenas de pessoas foram mortas em confrontos violentos com as forças governamentais em julho.

Quatro anos de transição antes das eleições

Sharaa afirmou em um fórum no Catar, no último fim de semana, que "a Síria vive hoje seus melhores momentos", apesar dos surtos de violência, e disse que os autores ​​serão responsabilizados.

Ele afirmou que um período de transição liderado por ele continuará por mais quatro anos, para estabelecer instituições, leis e uma nova constituição — que será submetida a votação popular — momento em que o país realizará eleições.

Sharaa detém amplos poderes sob uma constituição provisória aprovada em março. As autoridades organizaram uma votação indireta em outubro para formar um Parlamento, mas Sharaa ainda não selecionou um terço dos 210 membros previstos na constituição.

A família Assad, pertencente à minoria alauíta da Síria, governou o país por 54 anos.

A guerra na Síria matou centenas de milhares de pessoas e deslocou milhões desde 2011, levando cerca de cinco milhões a buscar refúgio em países vizinhos.

A agência da ONU para refugiados afirmou na segunda-feira que cerca de 1,2 milhão de refugiados, além de 1,9 milhão de deslocados internos, retornaram para casa desde a queda de Assad, mas a redução do financiamento internacional pode dissuadir outros.

O governador do banco central da Síria, falando em uma conferência da agência de notícias Reuters NEXT na semana passada, disse que o retorno de cerca de 1,5 milhão de refugiados estava ajudando a economia a crescer.

O OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários) afirma que as necessidades humanitárias em toda a Síria são graves, com cerca de 16,5 milhões de pessoas precisando de ajuda em 2025.