Honduras caminha para eleger 1ª presidente mulher em vitória de Xiomara Castro

Xiomara Castro mostra vantagem sustentada durante a apuração da eleição de domingo (28)

Xiomara Castro comemora vitória antes do término da apuração, na noite de domingo (28), em Tegucigalpa
Xiomara Castro comemora vitória antes do término da apuração, na noite de domingo (28), em Tegucigalpa APHOTOGRAFIA/Getty Images

Da Reuters

Tegucigalpa

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A candidata presidencial hondurenha, Xiomara Castro, está a caminho de uma vitória esmagadora na eleição de domingo (28), declarando vitória enquanto apoiadores comemoravam do lado de fora de seus escritórios para celebrar o retorno da esquerda ao poder 12 anos depois que seu marido foi deposto por um golpe.

A eleição, marcada para dar a Honduras sua primeira mulher como presidente, parece ter transcorrido sem problemas, em contraste com quatro anos atrás, quando um resultado apertado levou a contestações e protestos mortais após alegações generalizadas de irregularidades.

Com metade dos votos contados, Castro, esposa do ex-presidente Manuel Zelaya, tinha quase 20 pontos de vantagem sobre Nasry Asfura, o prefeito da capital e candidato ao Partido Nacional, que ganhou 34% de acordo com uma contagem preliminar na segunda-feira (29).

As celebrações estouraram na sede da campanha de Castro com a contagem dos votos e sua vantagem sustentada. Os escritórios do Partido Nacional conservador de Asfura estavam desertos.

Autoproclamada socialista democrática em um país onde poucas mulheres ocupam cargos públicos, Castro conquistou o apoio de uma ampla faixa de hondurenhos cansados ​​da corrupção e da concentração de poder que cresceu sob o Partido Nacional.

“Demos as costas ao autoritarismo”, disse ela a apoiadores na noite de domingo, cercada por seus colegas do Partido Libre, assessores e familiares, incluindo seu marido, Zelaya, que foi deposto quando as elites militares e empresariais se aliaram contra ele, dando início a uma dezena de anos do Partido Nacional no poder.

‘Paz e justiça’

Dependendo de suas escolhas políticas, Castro poderia reverter o enfraquecimento do sistema judiciário hondurenho que beneficiou grupos corruptos, uma tendência observada na América Central nos últimos anos.

Ela prometeu pedir ajuda das Nações Unidas para fortalecer a luta contra a corrupção e promete legalizar o aborto em alguns casos. Ela pode estabelecer relações diplomáticas com Pequim, uma questão que preocupa Washington.

Os líderes empresariais rapidamente deram os parabéns e Castro prometeu trabalhar “de mãos dadas” com o setor privado.

“Vamos formar um governo de reconciliação, um governo de paz e justiça”, acrescentou Castro.

No entanto, os críticos a pintaram como uma radical perigosa, lembrando a proximidade de Zelaya com o falecido presidente venezuelano Hugo Chávez.

Em seu discurso, Castro prometeu fortalecer a democracia direta realizando referendos sobre políticas-chave. Em outras partes da América Latina, essa ferramenta pode fortalecer o poder presidencial.

Um referendo planejado por Zelaya sobre a reforma constitucional, incluindo a permissão de um presidente ser reeleito para um segundo mandato, foi um catalisador para o golpe contra ele, com as elites desconfortáveis ​​com sua aliança com Chávez.

Apesar de tal resistência à reeleição, uma corte superior lotada com os aliados do atual presidente Juan Orlando Hernandez posteriormente mudou a constituição para permitir a ele um segundo mandato.

Na manhã de segunda-feira, Castro agradeceu ao presidente venezuelano Nicolas Maduro no Twitter por uma mensagem de parabéns.

A eleição ocorreu em um cenário de pobreza exacerbada pela pandemia de coronavírus, aumentando a raiva alimentada por escândalos que ajudaram a empurrar um número recorde de migrantes a partir para os Estados Unidos.

Castro, que já havia disputado a presidência duas vezes antes, aproveitou a queda na popularidade do ex-presidente Hernandez, que foi indicado em um caso de tráfico de drogas em um tribunal federal dos Estados Unidos.

Hernandez negou repetidamente qualquer irregularidade, mas o candidato de seu partido, Asfura, fez questão de manter distância do presidente durante a campanha eleitoral. O marido de Castro, Zelaya, também foi acusado por uma testemunha em um tribunal dos Estados Unidos de ter recebido suborno para drogas. Ele negou a acusação.

Asfura pediu aos eleitores que mostrassem paciência em uma postagem nas redes sociais, mas não chegou a conceder.

O destino do Congresso de 128 membros de Honduras permanece indefinido, sem resultados preliminares publicados pelo conselho eleitoral. Se o Partido Nacional conseguir manter o controle, isso pode complicar a vida do governo de Castro.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.

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