Improvisos suavizam fala de Trump sobre Brasil na ONU, diz especialista
Em entrevista ao CNN Arena, Carlos Gustavo Poggio afirmou que o atual momento das relações entre Brasil e Estados Unidos é o pior da história, mas que o breve encontro com Lula amenizou o tom do discurso
O discurso de Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas marcou um momento histórico nas relações entre Brasil e Estados Unidos, mas não pelos melhores motivos, conforme avaliou Carlos Gustavo Poggio, professor de Relações Internacionais e especialista em política americana, em entrevista ao CNN Arena.
Segundo Poggio, pela primeira vez em 80 anos de ONU, um líder norte-americano fez críticas diretas ao Brasil em seu pronunciamento oficial, evidenciando o momento delicado entre as duas maiores economias do hemisfério.
No entanto, os improvisos de Trump durante sua fala, que se estendeu por cerca de uma hora, acabaram suavizando o tom das críticas. O encontro de 39 segundos com Lula, momentos antes do discurso, parece ter influenciado positivamente a abordagem do norte-americano, que demonstrou abertura para futuras negociações.
O pior momento das relações bilaterais
De acordo com Poggio, as relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam seu pior momento em dois séculos de história. Mesmo episódios anteriores de tensão, como a questão da espionagem durante o período Dilma-Obama ou os atritos sobre direitos humanos na época do governo militar, não se comparam à atual situação.
O especialista ressalta que este cenário se insere em um contexto mais amplo da política externa de Trump, que tem gerado atritos com diversos aliados tradicionais dos Estados Unidos, incluindo países europeus, Canadá, México e Austrália. Esta abordagem personalista tem provocado fissuras em alianças construídas ao longo de décadas.
A promessa de um encontro futuro entre Lula e Trump surge como um possível canal de diálogo. No entanto, Poggio alerta para a necessidade de cautela nas negociações, lembrando a tendência de Trump em mudar rapidamente de posição - como exemplificado por suas recentes declarações contraditórias sobre a Ucrânia.

